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Fundo da Genoa zera posição em Brasil com temor fiscal sobre PEC

Hoje, a gestora, que tem cerca de R$ 13,5 bilhões em ativos sob administração, mantém no Brasil uma opção de venda em Ibovespa

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Bloomberg

30 de novembro de 2022, 12h47

A Genoa Capital preferiu se afastar dos ativos brasileiros diante das sinalizações pró-gastos do novo governo.

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A estratégia multimercado macro da gestora zerou a posição levemente comprada em real contra o dólar e a aposta em ações domésticas em meados de novembro, logo depois que a equipe de transição do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva apresentou seu plano para retirar o Bolsa Família do teto de gastos.

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“A credibilidade vai ter que ser reconquistada de alguma forma, seja por meio do anúncio de uma equipe econômica amigável ao mercado ou com medidas do novo governo de compensação para os gastos”, disse André Raduan, gestor da Genoa Capital. O novo governo “terá que entregar” nesses departamentos para que os preços de mercado melhorem, afirmou Raduan.

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Hoje, a gestora, que tem cerca de R$ 13,5 bilhões em ativos sob administração, mantém no Brasil uma opção de venda em Ibovespa, apostando que as ações devam ser negativamente impactadas pela perspectiva de juros em alto patamar por mais tempo.

“O fato é que não conseguimos mais ver quando virá uma queda da Selic”, disse Raduan. A gestora previa, anteriormente, que um ciclo de queda de juros pudesse começo no segundo trimestre de 2023.

A Genoa também diminuiu, no fundo long biased, a posição em ações de bancos pelos níveis de inadimplência e o risco de que o setor seja um dos favoritos do governo eleito para ser taxado em caso de reforma tributária.

“Temos concentrado a carteira em ações com idiossincrático relevante”, diz o gestor Wlad Ribeiro, que gere a estratégia em parceria com Lucas Cachapuz. “Sabesp é a maior exposição por se tratar de um caso de privatização estadual”, disse Cachapuz.

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Externo

Apesar do aumento das incertezas fiscais, os fundamentos da economia brasileira -- alta taxa de juros e contas externas saudáveis -- têm contribuído para manter o dólar ainda distante do pico histórico, avalia Emerson Codogno, gestor responsável pelas estratégias de câmbio. “Ventos externos favoráveis também têm ajudado o real.”

No exterior, a gestora detém posições em moedas, com compra em peso mexicano e euro e venda em dólar e yuan offshore. Em juros, a aposta é tomada -- posição que ganha com a alta -- nos juros da África do Sul.

Para Mariano Steinert, gestor de mercados internacionais, a economia americana já tem dado sinais de desaceleração em meio à precificação de juros restritivos, e a poupança acumulada pelas famílias sugere condições para evitar uma desaceleração abrupta. “Parece haver uma precificação menor do que a razoável de um pouso suave atualmente”, disse.

Os fundos da Genoa Radar, multimercado macro, e Arpa, long biased, têm retornos após taxas de 19,9% e 19,60% no acumulado do ano, respectivamente. Raduan, Codogno, Steinert e Ribeiro, ex-gestores da Itaú Asset, e Cachapuz, ex-JGP Asset Management, são sócios da Genoa e estão entre os fundadores da gestora, que foi criada em 2020 e hoje possui uma equipe de 52 pessoas.

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