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Fluxo gringo na B3 tem melhor março em quatro anos, apesar da Guerra

Interesse estrangeiro pelo Brasil "permanece inabalável", apesar de aversão ao risco, diz BTG Pactual

Fluxo estrangeiro em março: os investidores internacionais aportaram R$ 11,9 bilhões no mês, o maior volume desde 2022, quando o ingresso havia somado R$ 21,4 bilhões (B3/Divulgação)

Fluxo estrangeiro em março: os investidores internacionais aportaram R$ 11,9 bilhões no mês, o maior volume desde 2022, quando o ingresso havia somado R$ 21,4 bilhões (B3/Divulgação)

Publicado em 2 de abril de 2026 às 14h57.

Última atualização em 2 de abril de 2026 às 15h18.

O fluxo de capital estrangeiro para a bolsa brasileira continuou positivo em março e surpreendeu o mercado diante de um ambiente de elevada volatilidade global com a eclosão da guerra no Irã.

Segundo dados da B3, os investidores internacionais aportaram R$ 11,9 bilhões no mês, maior volume para um mês de março desde 2022, quando o fluxo foi de R$ 21,4 bilhões.

Os gringos responderam por 62,1% de todo o volume negociado na bolsa em março. Os dados da B3 mostram, contudo, que, embora os investidores internacionais tenham mantido aportes líquidos no país, o ritmo desacelerou de forma consistente ao longo dos últimos meses. Em janeiro, o saldo positivo foi de R$ 26,4 bilhões, enquanto fevereiro somou R$ 15,3 bilhões.

Ainda assim, no acumulado de 2026, o saldo líquido já atinge R$ 53,8 bilhões, a melhor marca de capital externo também desde 2022, quando o primeiro trimestre do ano somou R$ 65,3 bilhões em recursos estrangeiros.

Interesse estrangeiro pelo Brasil 'permanece inabalável'

O desempenho chama atenção por ter ocorrido em um cenário adverso. O mês passado foi marcado por forte volatilidade nos mercados globais, em meio à escalada de tensões no Oriente Médio. Ainda assim, o Brasil apresentou resiliência relativa.

Segundo análise do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), o mercado brasileiro teve desempenho superior a pares internacionais.  Enquanto o S&P 500, nos Estados Unidos, caiu cerca de 5% no mês e os mercados emergentes recuaram mais de 2%, o Ibovespa registrou leve queda de 0,7% em reais e ficou praticamente estável em dólares.

Para o banco, esse movimento reforça que o interesse estrangeiro pelo Brasil "permanece inabalável", mesmo em momentos de maior aversão ao risco. A instituição destaca que, mesmo com saídas pontuais de fundos globais de mercados emergentes (GEM), o fluxo para ações brasileiras continuou positivo, sustentando a entrada líquida de capital no período.

Outro fator apontado é o diferencial de desempenho do mercado brasileiro no acumulado do ano. Em dólares, as ações locais sobem 23% em 2026, superando com folga o desempenho negativo de índices globais.

Esse cenário, aliado a uma avaliação considerada mais atrativa, com o Ibovespa negociando a múltiplos abaixo da média histórica, ajuda a explicar a continuidade do fluxo estrangeiro.

Investidor local segue em direção oposta

Enquanto isso, o investidor local seguiu na direção oposta. De acordo com o BTG, instituições domésticas foram vendedoras líquidas tanto em março quanto no acumulado do ano, refletindo um ambiente ainda desafiador para a alocação em renda variável no Brasil, especialmente diante do nível elevado das taxas de juros.

"Os investidores institucionais locais foram os principais vendedores neste mês (venda líquida de R$ 8,2 bilhões) e no acumulado do ano (-R$ 38,5 bilhões)", disse o banco.

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