Fleury: 'Estamos acelerando as avenidas de crescimento', diz CEO

Participação de novos negócios praticamente dobra em três meses e grupo conhecido pela medicina diagnóstica atinge receita bruta recorde no terceiro trimestre
Fleury teve 'forte crescimento da medicina diagnóstica' no trimestre, destacou a CEO Jeane Tsutsui | Foto: Leandro Fonseca/EXAME (Leandro Fonseca/Exame)
Fleury teve 'forte crescimento da medicina diagnóstica' no trimestre, destacou a CEO Jeane Tsutsui | Foto: Leandro Fonseca/EXAME (Leandro Fonseca/Exame)
Por Marcelo SakatePublicado em 29/10/2021 09:58 | Última atualização em 01/11/2021 12:19Tempo de Leitura: 5 min de leitura

O Grupo Fleury (FLRY3) alcançou receita bruta recorde pelo segundo trimestre seguido no período de julho a setembro, em meio à transição da saída da pandemia para a normalização da demanda por exames de medicina diagnóstica e aos efeitos crescentes de seu plano estratégico de diversificação de negócios.

As receitas brutas somaram 1,1 bilhão de reais no terceiro trimestre, com crescimento de 10,2% em relação ao segundo e de 17,3% na comparação anual. Houve avanço em todas as áreas de negócios da companhia na base anual. O resultado foi divulgado na noite de quinta-feira, dia 28.

Investidores reagiram positivamente ao resultado: as ações subiram 2,67% nesta sexta, dia 29, a quarta maior alta do Ibovespa em um dia de queda de 2,09% do índice.

"O resultado mostra um crescimento forte da medicina diagnóstica, com recuperação muito grande tanto dos exames de análises clínicas como dos exames de imagem", disse Jeane Tsutsui, CEO do Fleury, à EXAME Invest.

Os exames de análises clínicas subiram 9,1% em relação ao segundo trimestre e 7,9% na base anual; no caso de exames de imagem, o avanço foi ainda maior, de 16,8% e de 12,6%, respectivamente.

"As pessoas voltaram a se preocupar mais com a saúde. Não vejo como represamento de exames. Com a pandemia, elas perceberam a importância de cuidar da saúde. O segundo ponto é o envelhecimento da população", afirmou.

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A executiva destacou o fato de que a receita bruta cresceu 29,6% no acumulado dos nove primeiros meses do ano em relação a 2019, ou seja, ao período pré-pandemia. O avanço se deu em razão de crescimento orgânico e inorgânico.

Apesar do crescimento da linha de cima, o Ebitda (que mede a geração de caixa operacional) caiu 7,1% na comparação anual, para 300,7 milhões de reais no trimestre. No acumulado do ano, houve alta de 54,9%.

A margem Ebitda recorrente caiu de 37,0% para 29,2% na comparação anual do terceiro trimestre, mas melhorou de 26,4% para 29,3% no acumulado do ano.

"O dado do terceiro trimestre de 2020 teve uma distorção porque houve uma recuperação no volume depois da forte queda no segundo trimestre por causa da pandemia, ao mesmo tempo em que seguramos os custos", disse Tsutsui.

A margem Ebitda entre julho e setembro foi pressionada pelo aumento de custos fixos com a volta da demanda por exames e por despesas gerais para reforçar a estrutura de sua healthtech Saúde iD, a sua plataforma de exames e procedimentos para o paciente final (B2C), segundo analistas do BTG Pactual em relatório sobre o resultado.

Os analistas mantiveram recomendação neutra para a ação, mas reduziram o preço-alvo para o fim de 2022 de 26 para 20 reais, citando o aumento do custo de capital no Brasil.

Para analistas do Citi, o resultado veio "acima das expectativas": a alta de 17% na receita bruta na base anual superou em 5% as projeções do banco. Até a queda da margem Ebitda recorrente foi menor do que a esperada.

Outro ponto destacado pelos analistas do Citi foi o anúncio de descontinuidade do plano anunciado em 2016 de abrir de 73 a 90 unidades até o fim de 2021. Já foram inauguradas 55 unidades. A decisão foi tomada em razão do avanço do atendimento móvel -- cuja receita média é equivalente à de 25 unidades -- e da incorporação de 112 unidades por meio de aquisições de outras redes.

O balanço de resultados do Fleury também revelou que a pandemia continua a exercer impacto decrescente sob a ótica das receitas. O grupo realizou cerca de 400 mil exames para Covid (RT-PCR e sorologias) no trimestre, que representaram 6% da receita bruta, o menor índice desde o começo da pandemia.

No primeiro trimestre, esses exames relacionados à Covid responderam por quase 10% da receita bruta. "Não dependemos de testes de Covid para crescer e para obter resultado", destacou a executiva.

No campo do crescimento inorgânico, o resultado do Fleury foi impactado positivamente pela consolidação de algumas aquisições recentes, como a da Clínica Vita de Ortopedia, cuja fatia de 66,7% foi adquirida em abril passado por 136,8 milhões de reais. Houve ainda a integração dos laboratórios Pretti e Bioclínico no Espírito Santo.

Há mais por vir tanto na consolidação -- o grupo anunciou há duas semanas a aquisição da rede de laboratórios Marcelo Magalhães, em Pernambuco, por 385 milhões de reais -- como de novos alvos que estão no pipeline.

Os novos negócios -- que vão além do core tradicional da medicina diagnóstica -- já representam 7,8% da receita bruta após crescimento de 110,9% em relação ao segundo trimestre e de 541,5% na base anual. Essa fatia das novas frentes quase dobrou em relação ao período de abril a junho, quando esteve em 4,1% das receitas brutas.

"Estamos acelerando essas avenidas de crescimento, que, na nossa avaliação, vão ter uma contribuição maior para o grupo", disse Tsutsui, que define o Grupo Fleury como cada vez mais uma empresa de saúde.

José Filippo, CFO (executivo-chefe Financeiro) do Fleury, destacou o fato de que o endividamento medido pela relação entre dívida líquida sobre o Ebitda dos últimos doze meses se manteve em níveis controlados, em 1,3x (versus 1,1x no mesmo trimestre de 2020).

O endividamento subiu em razão do pagamento de 293 bilhões de reais pela aquisição dos laboratórios Pretti e Bioclínico, mas Filippo ressaltou que a contribuição das empresas para o Ebitda só vem em momento posterior.