Fleury cresce 30% em 2021 e anuncia R$ 300 milhões em dividendos

Grupo tem expansão orgânica de 24% e ganho de 4 pontos de market share em medicina diagnóstica; Jeane Tsutsui, CEO do Fleury, conta os planos à EXAME Invest
Fleury: 6,8 milhões de atendimentos em 2021, com crescimento de 24% em relação ao ano anterior (sem contar as aquisições) (Leandro Fonseca/Exame)
Fleury: 6,8 milhões de atendimentos em 2021, com crescimento de 24% em relação ao ano anterior (sem contar as aquisições) (Leandro Fonseca/Exame)
Por Marcelo SakatePublicado em 17/03/2022 19:58 | Última atualização em 17/03/2022 20:05Tempo de Leitura: 4 min de leitura

No caminho para se tornar cada vez mais um ecossistema de saúde, o Grupo Fleury (FLRY3) acaba de anunciar um crescimento de 30,1% nas receitas brutas em 2021, para um recorde de R$ 4,172 bilhões. Foi uma expansão acelerada pelas aquisições realizadas ao longo do ano mas também alcançada de forma orgânica, com alta de 24%.

O lucro líquido ajustado cresceu 37,3% na base anual, para R$ 374,7 milhões, o que vai permitir a distribuição de R$ 297,4 milhões em dividendos, equivalente a um dividend yield (dividendo por ação sobre o valor da ação) de 5,2%.

No quarto trimestre, o crescimento da receita foi moderado, de 10%, para R$ 1,1 bilhão, mas a comparação é feita com um período atípico, dado que o segundo semestre de 2020 foi caracterizado pela demanda represada do início da pandemia.

"Mostramos não apenas que temos a capacidade de crescer em medicina diagnóstica como a força da nossa estratégia de novos elos e de plataforma de saúde, que reflete a diversificação dos negócios e o posicionamento de oferecer medicina preventiva e integrada", disse Jeane Tsutsui, CEO do Fleury, à EXAME Invest.

"Há demanda por análises clínicas, exames de imagem e também por testes de covid. Tivemos um crescimento de 28% em exames de imagem, o que mostra que as pessoas estão mais preocupadas com a saúde", disse Tsutsui. O grupo ganhou 4 pontos percentuais de market share em medicina diagnóstica no último ano.

Foram seis aquisições do Fleury ao longo de 2021, das quais cinco já aprovadas pelos órgãos responsáveis: três em medicina diagnóstica, que continua a crescer e a ser o core business do grupo, e três em novas frentes de negócios (os "novos elos"), uma em infusão de medicamentos, outra em ortopedia e uma terceira em oftalmologia.

O Ebitda recorrente, que mede o resultado operacional, cresceu 28,6%, para R$ 1,1 bilhão, com margem de 28,2%, quase em linha com os 28,5% do ano anterior.

A manutenção da margem exigiu, segundo José Antonio Filippo, CFO do Fleury, a renegociação constante com fornecedores para mitigar a pressão de custos, um fator de risco cada vez mais presente para as empresas.

Os novos negócios fazem parte da estratégia do ecossistema integrado de saúde, que amplia a jornada do cliente com o grupo e potencializa o número de exames de imagem e clínicos realizados na frente da medicina diagnóstica.

Junto com a plataforma Saúde iD, que é um marketplace de serviços voltados ao consumidor (B2C), a frente de novos negócios mais do que quintuplicou (+451%) as receitas no ano passado, para R$ 223,3 milhões.

"A contribuição dos novos elos no resultado do ano fica um pouco diluída porque algumas das aquisições entraram no terceiro trimestre. No quarto trimestre, a contribuição nas receitas totais foi de 7,5%. É uma atividade de negócios em desenvolvimento, em que vamos aprendendo a fazer a integração e a ganhar mais eficiência", disse Filippo.

Os resultados de 2021 atestam, na visão dos executivos, a validade da fórmula adotada para o crescimento. "No futuro, [essa contribuição] vai continuar crescendo. Nosso pipeline de M&A [fusões e aquisições] tem empresas de medicina diagnóstica mas também de novos elos. Será uma combinação de crescimento orgânico e inorgânico", afirmou.

Outro destaque do resultado veio do atendimento móvel, um modelo que ganhou força com a pandemia e que encerrou o último ano com avanço de 21,6%. As receitas já equivalem a 7,4% do total e ao que seria obtido por 26 unidades físicas.

"O atendimento móvel vem em linha não só com o comportamento do cliente mas também conseguimos crescer sem empregar o capital que seria necessário para abrir 26 unidades físicas", disse a CEO do Fleury. "É uma avenida de crescimento importante e vamos continuar a expandir por meio de novas rotas", afirmou.

Para o ano cujo primeiro trimestre já se aproxima do fim, as expectativas incluem um crescimento de dois dígitos no conceito de mesmas lojas na frente de medicina diagnóstica, em um ambiente de aumento da demanda com o envelhecimento da população e a consequente incidência de doenças crônicas, depois de dois anos de pandemia.

É um diagnóstico corroborado também pelos números do setor de saúde: o número de brasileiros com plano de saúde chegou a 49 milhões no fim de 2021, com aumento de 1,5 milhão de beneficiários ao longo do último ano.