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FedEx surgiu de uma ideia 'média' na faculdade; empresa vai sair das coletas no Brasil

A FedEx iniciou sua atuação no Brasil em 1989 com a compra da empresa aérea Flying Tigers

Nos anos 2000, a FedEx consolidou-se como líder em transporte expresso e logística (Getty Images)

Nos anos 2000, a FedEx consolidou-se como líder em transporte expresso e logística (Getty Images)

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 16h17.

Última atualização em 8 de janeiro de 2026 às 16h22.

Em 1971, Frederick W. Smith, então um jovem estudante de Yale, apresentou um trabalho defendendo um sistema dedicado à "entrega urgente" — ideia que recebeu nota média, mas teve ecos com repercussões pelas décadas seguintes.

Dois anos depois, Smith fundou a Federal Express Corporation em Little Rock, Arkansas, e em 17 de abril de 1973 a empresa iniciou seus serviços em Memphis, Tennessee. Na estreia, 14 aeronaves entregaram 186 pacotes a 25 cidades dos EUA durante o primeiro voo noturno.

A escolha de Memphis se justificava pela localização central e por condições climáticas estáveis. O modelo de atuação era revolucionário para a época: concentrar todas as remessas num super-hub para garantir entregas no dia seguinte.

Compra de aviões e inovações

Um passo importante foi a compra de sete Boeing 727 em 1977 após a desregulamentação do setor de carga aérea. Em 1978, a empresa foi listada na Bolsa de Nova York sob o código FDX. Em 1983, atingiu a marca de US$ 1 bilhão em receitas — um feito para uma empresa sem fusões até então. A década seguinte foi marcada por expansões para Europa e Ásia, além de inovações tecnológicas como rastreamento por código de barras e sistemas online.

Em 1994, a empresa adotou oficialmente a marca “FedEx Corporation”. Nos anos seguintes, transformou-se numa holding com diversas subsidiárias — FedEx Express, Ground, Freight, Office, Logistics, Custom Critical e outras.

Nos anos 2000, a FedEx consolidou-se como líder em transporte expresso e logística. Em 2024, reportou receita de US$ 87,7 bilhões, com cerca de 505.000 funcionários e presença em mais de 2.000 localidades.

FedEx no Brasil

Entrada e crescimento

A FedEx iniciou sua atuação no Brasil em 1989 com a compra da empresa aérea Flying Tigers, o que permitiu oferecer serviços internacionais conectando o país à rede global da companhia. Em 2012, ampliou sua presença doméstica ao comprar a Rapidão Cometa, uma das principais transportadoras rodoviárias do Brasil.

Em 2019 a empresa celebrou 30 anos de operação no país, com aproximadamente 15 mil funcionários, quase 2.800 veículos e mais de 100 unidades distribuídas em 5.300 localidades. O armazém de Viracopos, em Campinas, passou por ampliação, dobrando sua capacidade para quase 10.000 m².

Reorientação estratégica em 2026

Em janeiro de 2026, a FedEx anunciou uma mudança significativa em sua atuação no Brasil: o abandono das operações de entregas domésticas. A partir de 6 de fevereiro serão descontinuadas as coletas domésticas, com a empresa focando exclusivamente em remessas internacionais (aéreas e rodoviárias) e em soluções de supply chain para clientes corporativos.

A decisão, que resultou no fechamento de estruturas e desligamento de equipes, faz parte de uma reestruturação para priorizar áreas com maior sinergia global e rentabilidade, num cenário brasileiro marcado por complexidade operacional e margens apertadas.

Em comunicado, a FedEx destacou que manterá suas operações de logística internacional e supply chain — incluindo sistemas como POS — articulando o Brasil à sua rede global de mais de 220 países e territórios.

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