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Fed reconhece queda na pressão inflacionária, mas dirigentes querem mais confiança para reduzir juro

Autoridades também não descartam a possibilidade de alta nos juros caso haja um repique da inflação

Fed: ata vem em tom mais duro, sinalizando que pode haver alta dos juros nos EUA caso necessário (Smith Collection/Gado/Getty Images)

Fed: ata vem em tom mais duro, sinalizando que pode haver alta dos juros nos EUA caso necessário (Smith Collection/Gado/Getty Images)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 3 de julho de 2024 às 15h49.

Última atualização em 3 de julho de 2024 às 16h17.

Os dirigentes do Federal Reserve (Fed, banco central americano), na ata divulgada nesta quarta-feira, 3, reconheceram que "as pressões sobre os preços estão diminuindo" e que a economia americana parece estar desacelerando.

No entanto, ainda enfatizam que precisam de mais confiança de que a inflação caminha de forma sustentável para a meta de 2%, visto que ela está se movendo na direção certa, mas não com a rapidez suficiente para justificar a queda de juros.

As autoridades também não descartam a possibilidade de alta nos juros caso haja um repique da inflação. “[Os membros] estariam preparados para ajustar a orientação da política monetária conforme apropriado caso surgissem riscos que pudessem impedir a consecução das metas do Comitê."

Paulo Gala, economista-chefe do Banco Master, diz que o Fed já havia deixado claro que "não está pronto para cortar juros", pontuando que as curvas de previsões de cenário, desde a última reunião, subiram, apontando apenas um corte de juros para este ano. "O Fed fala que, se a inflação piorar, eles vão inclusive subir os juros. É uma ata relativamente dura e que não é compatível com os últimos dados."

O executivo destaca que os indicadores mais recentes dos Estados Unidos, tanto de mercado de trabalho quanto os Índice de Gerente de Compras (PMI, na sigla em inglês), têm vindo negativo, o que mostram que a economia está mais fraca, mas que a questão do Fed é de querer ter a certeza de que a inflação não vai piorar.

Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, também enfatiza que a ata foi mais dura, mas destaca que o mercado não foi pego de surpresa, visto que a postura adotada durante a entrevista coletiva dos dirigentes logo após a reunião também seguiu a linha mais hawkish.

"Desde então, a situação tem se acalmado, principalmente devido aos dados de inflação. Os dados do mercado de trabalho divulgados na próxima sexta-feira devem ser um pouco mais fortes que os anteriores, o que pode agitar o mercado. No entanto, acredito que a decisão sobre um possível corte na reunião de setembro ainda dependerá muito dos próximos dados de inflação", explica.

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