Fed: banco central americano decide sua taxa de juros nesta quarta-feira, 28 (fotog/Getty Images)
Repórter de finanças
Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 06h03.
Os mercados globais voltam as atenções nesta quarta-feira, 28, para a decisão de juros do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos). A expectativa é de manutenção da taxa básica na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, após três cortes consecutivos realizados no segundo semestre do ano passado.
Mais do que a decisão em si, investidores esperam atentos os sinais sobre os próximos passos da política monetária americana. A leitura de Jerome Powell, presidente do Fed, sobre o mercado de trabalho e a inflação deve orientar o humor dos mercados nas próximas semanas.
Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o foco estará na forma como o banco central avalia atividade, inflação e mercado de trabalho. Ele destaca que os dados recentes mostram perda de fôlego nas contratações.
“Ao observarmos os dados de criação de vagas, medidos principalmente pelo relatório de payroll, vemos um mercado de trabalho que vem perdendo parte de sua dinâmica. As contratações têm sido mais moderadas nas leituras recentes, além de recorrentes revisões para baixo dos números divulgados anteriormente”, comenta.
Além do diagnóstico sobre o emprego, Bruno Yamashita, analista de Alocação e Inteligência da Avenue, acrescenta que as projeções para a economia também entram no radar.
“Os investidores vão acompanhar as estimativas do Fed para o crescimento da atividade nos Estados Unidos. No comunicado e na entrevista, o mercado tentará entender como Powell está avaliando o duplo mandato do banco central, especialmente os riscos ligados ao mercado de trabalho e à inflação.”
Se por um lado o mercado de trabalho mostra sinais de moderação, a inflação segue longe de ser uma questão resolvida. O PCE (Personal Consumption Expenditures), indicador de preços preferido do Fed, continua acima da meta de 2% ao ano.
Este é o quarto ano consecutivo em que o Fed não consegue cumprir seu objetivo de inflação e, nesse ponto, a visão dos membros do comitê parece menos clara.
“Powell tem sinalizado que o cenário para os preços ainda é incerto, destacando a existência de múltiplos choques vindos das políticas implementadas pelo Executivo, o que torna a chamada ‘assimetria de riscos’ menos evidente”, explica Shahini.
Para ele, o mercado tentará decifrar qual preocupação pesa mais hoje dentro do Fed: mercado de trabalho ou inflação.
Yamashita avalia que, apesar da desaceleração, o emprego ainda não dá sinais de fraqueza suficientes para justificar cortes imediatos.
“Os dados do mercado de trabalho mostraram uma desaceleração, mas seguem relativamente resilientes. Observamos um cenário de menor ritmo de contratações, mas também sem aumento expressivo das demissões, o que indica um mercado de trabalho mais equilibrado neste momento”, diz.
Na avaliação de Yamashita, o conjunto de indicadores reforça a postura cautelosa da autoridade monetária.
“Entre os motivos para o Fed não cortar juros agora está o fato de a inflação ainda permanecer acima da meta, embora em trajetória mais benigna. Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho desacelerou, mas parece mais estável, e a atividade econômica dos Estados Unidos segue mostrando resiliência, mesmo diante de ventos contrários recentes”, afirma.
Esse pano de fundo, segundo os analistas, reforça a percepção de que o Fed deve seguir dependente dos dados antes de qualquer novo movimento na taxa básica.