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Fabricante do Ozempic cai 14% na bolsa após prever vendas menores

Quebra de patentes nos principais mercados de canetas emagrecedoras deve afetar receita e lucro da Novo Nordisk

Novo Nordisk: ficando para trás na 'corrida das canetas' (Novo Nordisk/Divulgação)

Novo Nordisk: ficando para trás na 'corrida das canetas' (Novo Nordisk/Divulgação)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 15h20.

As ações da Novo Nordisk chegaram a cair mais de 14% na bolsa americana nesta terça-feira, 3, após a companhia projetar queda no crescimento das vendas e do lucro operacional em 2026. A reação do mercado foi imediata e levou à paralisação temporária das negociações dos papéis nos EUA.

A farmacêutica dinamarquesa prevê que tanto a receita quanto o lucro operacional recuem entre 5% e 13% em 2026, a taxas de câmbio constantes. O guidance foi divulgado após o fechamento do mercado em Copenhague, onde a empresa tem sua principal listagem, e antes da apresentação formal dos resultados marcada para esta quarta-feira.

A revisão ocorre em um momento de virada para a companhia, que enfrenta redução de preços nos Estados Unidos e a perda de exclusividade de seus principais produtos, Wegovy e Ozempic, em mercados estratégicos como Brasil, China e Canadá a partir de 2026.

Segundo a empresa, a projeção negativa reflete a expectativa de queda nas vendas nos EUA, compensada apenas parcialmente pelo crescimento fora do país. A semaglutida, princípio ativo do Wegovy e do Ozempic, perderá a exclusividade em mercados-chave no próximo ano, abrindo espaço para concorrentes e genéricos.

“Em 2026, a Novo Nordisk enfrentará desafios relacionados a preços em um mercado cada vez mais competitivo”, afirmou o CEO da companhia, Mike Doustdar. Ao mesmo tempo, ele destacou a aposta no lançamento do Wegovy em comprimido nos EUA e no avanço do volume de vendas nos próximos anos.

A empresa afirma que a expansão global do mercado de medicamentos GLP-1 continuará, permitindo o aumento do número de pacientes atendidos e do volume comercializado fora dos EUA.

Um freio após anos de expansão

Em 2025, a Novo Nordisk ainda conseguiu crescer: as vendas avançaram 10% e o lucro operacional subiu 6%, em linha com as projeções mais recentes. Esses números, porém, já refletiam uma desaceleração em relação aos anos anteriores, após sucessivos cortes no guidance ao longo do ano por causa do ambiente mais adverso no mercado americano.

Analistas já esperavam que o crescimento das vendas desacelerasse para um dígito em 2026, após vários anos de forte expansão impulsionada pelos tratamentos para obesidade.

Para tentar reverter a perda de ritmo, a farmacêutica planeja lançar o Wegovy em novos mercados em 2026 e introduzir a dose mais alta, de 7,2 mg, em diversos países.

A pressão sobre a Novo Nordisk aumentou nos últimos 18 meses com o avanço da americana Eli Lilly. O medicamento concorrente à base de tirzepatida, vendido como Mounjaro e Zepbound, mostrou resultados mais expressivos de perda de peso e superou a Novo em participação de mercado nos EUA.

As ações da companhia dinamarquesa caíram 46,5% em 2025, impactadas por revisões negativas de projeções, mudanças na liderança e intensificação da concorrência. Parte dessas perdas foi recuperada após a Novo se tornar a primeira empresa a lançar um tratamento oral com GLP-1 para obesidade no mercado americano.

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