ETF com exposição a Brasil negociado em NY: EWZ registra maior captação diária (Shutterstock/Shutterstock)
Redação Exame
Publicado em 14 de abril de 2026 às 16h16.
O EWZ, ETF da BlackRock com exposição a Brasil negociado em bolsa nos Estados Unidos, registrou, nesta segunda-feira, 14, o maior volume diário captado em quase uma década, refletindo o retorno do apetite por risco nos mercados globais.
O iShares MSCI Brazil ETF recebeu mais de US$ 337 milhões em um único dia — o maior aporte desde maio de 2017. O fundo, maior veículo listado nos Estados Unidos com foco no mercado acionário brasileiro, acumula patrimônio de US$ 11,3 bilhões e tem registrado entradas consistentes ao longo do ano, à medida que investidores buscam diversificar suas carteiras para fora dos ativos americanos e em direção a mercados emergentes.
Só no primeiro trimestre, o EWZ captou mais de US$ 1,6 bilhão — melhor desempenho trimestral desde 2009. O movimento é alimentado por apostas em um ciclo de queda de juros no Brasil e pela expectativa de uma virada para políticas mais favoráveis ao mercado após as eleições presidenciais de outubro.
A resiliência do papel frente à turbulência recente reforçou a atratividade do país. Em março, período marcado por volatilidade ligada ao conflito no Oriente Médio, o EWZ recuou apenas 0,9%, contra uma queda de 9,2% do iShares MSCI Emerging Markets ETF (EEM), índice de referência para os mercados emergentes como um todo.
Para Greg Lesko, gestor da Deltec Asset Management, o Brasil reúne condições favoráveis pouco comuns. "Os preços das commodities estão firmes, as taxas reais são bastante elevadas e a economia é relativamente isolada dos efeitos do petróleo caro, dado que a dependência de importações é baixa", disse ele à Bloomberg. Lesko avalia que os estrangeiros lideraram a alta até aqui e que a próxima etapa do rali deverá contar com a participação dos investidores locais, atraídos por ações mais competitivas num cenário de juros em declínio.
Thea Jamison, diretora-executiva da Change Global Investment, gestora especializada em mercados emergentes, disse à agência de notícias que "o Brasil está no ponto ideal". Para ela, a volatilidade global, em vez de afastar o capital, tem destacado as oportunidades do país. "Qualquer ciclo de afrouxamento monetário seria um catalisador poderoso para as ações."