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'Está na hora de comprar Brasil': queda da bolsa abre janela de oportunidade

Corretora vê pessimismo extremo no mercado e potencial de alta de 17% para o Ibovespa

B3: pessimismo extremo acende sinal de compra, diz XP. (Cris Faga/NurPhoto/Getty Images)

B3: pessimismo extremo acende sinal de compra, diz XP. (Cris Faga/NurPhoto/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 1 de junho de 2026 às 11h00.

A correção da bolsa brasileira (B3) nas últimas semanas levou parte dos investidores a enxergar uma oportunidade de entrada. Apesar da piora para os juros, da saída de estrangeiros e de incertezas políticas, estrategistas avaliam que os preços das ações já incorporam boa parte desses riscos e tornaram o mercado mais atrativo.

A XP é um dos entes do mercado que vê sinais de que a recente onda de vendas pode ter ido longe demais. Em relatório publicado nesta segunda-feira, 1º, a corretora destaca que o pessimismo dos investidores voltou a patamares observados em outros momentos de inflexão da bolsa.

Os estrategistas foram diretos ao afirmar que "está na hora de comprar Brasil".

Enquanto as bolsas globais renovaram máximas impulsionadas pelo avanço das empresas ligadas à inteligência artificial e por uma temporada de resultados acima do esperado nos Estados Unidos, o Ibovespa perdeu força. Em maio, o principal índice da B3 caiu 7,2% e ficou para trás de outros mercados emergentes.

Na avaliação da corretora, três fatores explicam esse desempenho. O primeiro deles é a migração de recursos para mercados mais ligados ao tema da inteligência artificial. O segundo é a deterioração das expectativas para inflação e juros no país e o terceiro é o aumento da volatilidade política com as eleições.

Investidores estrangeiros retiraram cerca de R$ 26 bilhões da bolsa brasileira desde meados de abril, segundo a XP. Ao mesmo tempo, a piora da expectativa de inflação levou o mercado a revisar as projeções para a Selic. Agora a curva de juros tem um ciclo de cortes previsto para cerca de 1,15 ponto percentual (p.p).

A bolsa está mais barata agora

Apesar desse cenário, os estrategistas afirmam que a correção recente tornou as ações brasileiras mais atrativas. "Como resultado, o P/L do Ibovespa já passou de 10,5x para 8,4x. Mantemos nosso valor justo para o Ibovespa no fim do ano em 205 mil pontos, o que hoje oferece um potencial de alta interessante de cerca de 17%."

A XP manteve sua projeção de 205 mil pontos para o Ibovespa em seu cenário-base. No cenário otimista, a estimativa sobe para 258 mil pontos. Já em uma hipótese mais negativa, o índice poderia recuar para 156 mil pontos.

A casa também vê espaço para melhora caso haja uma redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio, especialmente se isso resultar em novas quedas do petróleo e aliviar as pressões sobre inflação e juros.

"Continuamos vendo o Brasil como um vencedor relativo no cenário global, dado seu baixo risco geopolítico, valuation atrativo e juros elevados."Relatório da XP

Eles acrescentam que uma eventual reabertura do Estreito de Ormuz e a continuidade da queda do petróleo poderiam beneficiar ativos brasileiros por meio da melhora das expectativas para inflação e política monetária.

Onde os analistas veem oportunidade

A cesta de ações que a XP considera mais bem posicionadas para uma recuperação da bolsa inclui empresas que combinam recomendação de compra, preços descontados e maior sensibilidade à queda dos juros.

Entre os nomes destacados aparecem C&A (CEAB3), Cyrela (CYRE3), Moura Dubeux (MDNE3), Movida (MOVI3), Plano & Plano (PLPL3), Positivo (POSI3), Riachuelo (RIAA3), Simpar (SIMH3) e Tenda (TEND3).

A corretora também promoveu mudanças em suas carteiras recomendadas. Na carteira Top Ações, incluiu Orizon (ORVR3), aumentou a participação em B3 (B3SA3) e Localiza (RENT3), reduziu Petrobras (PETR4) e retirou RD Saúde (RADL3).

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