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Espaçolaser registra prejuízo líquido de R$ 19 milhões no 3º tri mas vê melhora sequencial

Comparação com os números do primeiro semestre mostra melhoria de resultados como uma menor queda anual nas vendas em mesmas lojas

Espaçolaser: Estratégia está em aumentar o fluxo de clientes (Apex Studios/Divulgação)

Espaçolaser: Estratégia está em aumentar o fluxo de clientes (Apex Studios/Divulgação)

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Raquel Brandão

Publicado em 14 de novembro de 2022, 20h16.

Última atualização em 22 de novembro de 2022, 16h19.

A Espaçolaser, empresa de serviços de depilação a laser, pegou uma gripe. Essa é analogia do CEO, Paulo Camargo, vindo da franqueadora do Mc Donald's no Brasil, a Arcos Dorados, e que assumiu a companhia em agosto."É mais ou menos como se a gente tivesse pego uma gripe forte, mas já descobrimos o diganóstico bem feito. Alguns medicamentos já surtem efeito, outros vão levar um pouco mais de tempo", diz em entrevista à Exame Invest.

No terceiro trimestre, o resultado líquido contábil foi um prejuízo de R$ 19 milhões contra um lucro de R$ 8,51 milhões de um ano antes. Nos números ajustados, o prejuízo chegou a R$16,9 milhões, que se compara a um lucro líquido ajustado de R$19,1 milhões do terceiro trimestre de 2021.

A receita líquida alcançou R$209 milhões, alta de 101,4% em relação ao mesmo período no ano anterior, beneficiada pelo crescimento de vendas no período, parcialmente consumido pelo aumento na linha de cancelamentos, seguindo a tendência apresentada desde o quarto trimestre, em decorrência da restrição de liquidez e aumento no nível de endividamento das famílias brasileiras.

Em termos de vendas em mesmas lojas, houve melhora ante o segundo e primeiro trimestres. Ante o mesmo período as vendas caíram 1,7%, mas haviam caído 3,7% e 12,1% na base anual no segundo e primeiro trimestres, respectivamente. A melhora, conta Camargo, refletiu os repasses de preços e aumento na atividade promocional e investimentos em marketing. "As tendências desse ano estão melhorando." Os clientes estão voltando às lojas, diz Camrgo, mas, mais do que isso, a empresa tem olhado em atrair o novo cliente.

A estratégia nesse momento está sendo trazer mais cliente para as lojas, na confiança de que, uma vez lá dentro, queira fazer mais sessões do procedimento estético em mais áreas do corpo. A companhia reforçou o programa de indicação, seguiu dando gratuitas três sessões de experimentação e fez mais pacotes promocionais.

A empresa quer ter duas palavras de ordem no seu dia a dia: segmentação e "eficientização", nas palavras do executivo, que nada mais é, do que aumentar a produtividade. Resolvido o problema de capital, agora temos a possibilidade de crescimento à frente, conta Camargo. "O nosso 'turnaround' já começou", argumenta ele.

Linha financeira

No terceiro trimestre, o resultado financeiro foi uma despesa de R$42,3 milhões, sendo que um ano antes, registramos uma despesa de R$20,5 milhões. Esse aumento reflete a elevação no endividamento bruto no período, além do aumento significativo da taxa base de juros que é utilizada como referência para o custo de financiamento da companhia. 

A companhia recentemente renegociou a dívida em debêntures, em cerca de R$ 260 milhões. Renegociou as condições de contrato, os "covenants", com os credores. Isso porque a elevação dos juros fez as condições estabelecidas ficarem para trás: eram 2,5x e agora foi para 3,5x até metade do ano que vem, mas o plano é voltar a 2,5x mais à frente. Combinado a isso, fez uma capitalização privada, para trazer a alavancagem para níveis mais baixos. "Hoje em dia estamos com uma estrutura adequada para crecsimento. Conseguimos tirar da mesa essa dúvida que muitos investidores tinham", diz o diretor financeiro Leonardo Correa.