Engie vende última usina movida a carvão por R$ 2,2 bilhões

Fundos geridos pela Starboard e Perfin compraram o ativo, que tem capacidade instalada de 345 MW
Engie: meta da companhia é chegar à geração 100% renovável de energia (Jacky Naegelen/Reuters)
Engie: meta da companhia é chegar à geração 100% renovável de energia (Jacky Naegelen/Reuters)
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Karina Souza

Publicado em 15/09/2022 às 19:08.

Última atualização em 15/09/2022 às 19:25.

A Engie Brasil Energia assinou o contrato de venda da usina termelétrica Pampa Sul, que tem capacidade de geração de 345 MW e está localizada em Candiota (RS), aos fundos de investimento Grafito e Perfin Space X. O valor da venda foi de R$ 2,2 bilhões, segundo comunicado divulgado pela empresa.

Desse montante, R$ 450 milhões serão pagos no ato da transação e outros R$ 1,8 bilhão em dívida dos compradores. O processo de negociação foi assessorado pelo Morgan Stanley, além de Stocche Forbes, Mattos Filho e Campos Mello.

Os novos donos vão investir cerca de R$ 150 milhões no ativo, com o objetivo de alcançar uma redução das emissões de carbono em até 5% (75 mil toneladas de CO2 equivalente/ano). Além disso, também devem destinar investimentos de pesquisa e desenvolvimento (em montante não revelado) para tecnologias de captura e armazenamento de carbono — consideradas símbolo do futuro para esse tipo de geração, uma vez que reduziriam de forma considerável o principal problema do carbono, que é a quantidade de emissões de CO2, em uma perspectiva de ESG.

O projeto para construir a usina veio em 2014, por meio do leilão A-5. O contrato de fornecimento de 25 anos motivou um investimento de R$ 1,9 bilhão da Engie (na época Tractebel). Hoje, trabalham na empresa 113 colaboradores diretos e outros 500 terceirizados.

A usina era o último ativo a carvão remanescente no portfólio da companhia e a venda está alinhada à meta a empresa de priorizar uma economia neutra em carbono. De 2013 para cá, a empresa já se desfez de outros três ativos com perfil similar: as usinas Alegrete e Charqueadas e o Complexo Termelétrico Jorge Lacerda.

“Esses movimentos foram acompanhados de massivos investimentos em energia eólica e solar, além de infraestrutura de transmissão, que são os nossos vetores de crescimento para contribuir com uma matriz cada vez mais renovável para o país”, afirma Eduardo Sattamini, diretor-presidente da companhia, em comunicado.