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Empresa brasileira explora petróleo na Venezuela — e acaba de fazer uma aquisição nos EUA

Holding brasileira usa aquisição no Texas para se aproximar de Washington e ampliar operação no país vizinho

Paulo Buzanelli, chairman da Alvorada: holding atua na Venezuela desde 2023

Paulo Buzanelli, chairman da Alvorada: holding atua na Venezuela desde 2023

Mitchel Diniz
Mitchel Diniz

Editor de Invest

Publicado em 15 de julho de 2026 às 12h19.

Última atualização em 15 de julho de 2026 às 13h40.

A holding brasileira Alvorada está desde 2023 na Venezuela, onde tem concessão para explorar petróleo em três blocos da faixa petrolífera do Orinoco. Agora, acaba de comprar uma empresa do setor — nos Estados Unidos. A adquirida é a Calistoga, uma pequena produtora onshore do Texas, com quase 15 anos de atuação de mercado. A operação é pequena, com uma produção incipiente e cinco poços ativos. Mas a Calistoga tinha as autorizações e certificados dos órgãos reguladores locais que a compradora precisava para instalar seu headquarter em solo americano. É de lá que a Alvorada vai conduzir sua estratégia na Venezuela.

O movimento é revelador. Desde que Nicolás Maduro foi preso pelos americanos em janeiro deste ano, o setor privado na Venezuela tem buscado se aproximar do governo de Donald Trump. Os Estados Unidos também são o principal comprador em potencial do petróleo venezuelano, depois que sanções foram flexibilizadas.

"Hoje, quando os Estados Unidos importam do Oriente Médio, o petróleo leva até 40 dias para chegar. Saindo da Venezuela, esse tempo cai para cinco, até sete dias", afirma Paulo Buzanelli, chairman da Alvorada.

O executivo sente que a influência americana no país ganhou ainda mais força após os terremotos que deixaram milhares de mortos e aumentaram a dependência de ajuda externa. O trágico episódio também reforçou a importância econômica da indústria petrolífera. "O maior motor da economia venezuelana é o petróleo, que é o que vai ajudar a reconstruir o país".

No momento a Alvorada opera três blocos exploratórios, com 13 campos de petróleo e mais de 700 poços perfurados. Apesar de ter um contrato de partilha com a PDVSA, o investimento para colocar a operação de pé partiu da própria empresa. A estatal petrolífera fica com os royalties.

Para operar na Venezuela com a Calistoga, a Alvorada ainda precisa de licenças do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos Estados Unidos (OFAC). Mas já começou a adquirir equipamentos americanos para enviar à operação venezuelana.

Da prospecção ao "laboratório" na Venezuela

Buzanelli não tinha experiência prévia no setor de óleo e gás, mas conta que sempre se aventurou em negócios pouco convencionais por meio da Concordia, uma holding que já teve participações em um sem número de empresas, de commodities à tecnologia, passando por louças e metais sanitários. "Comecei a estudar Venezuela há mais ou menos cinco anos. Em 2023, o governo sinalizou abertura para o investimento privado internacional e demos o primeiro passo lá dentro. O Brasil também voltou a ter relações institucionais com país. Vimos que era o momento de ter uma empresa brasileira de petróleo na Venezuela", afirma.

O problema era levantar recursos para financiar a operação. Eram várias as restrições para que entidades privadas fizessem investimentos na área de petróleo da Venezuela. A primeira captação institucional da Alvorada aconteceu após a captura de Maduro, com a Galapagos Capital. "Estamos agora em uma fase de expansão para trazer mais campos para as nossas operações", diz o executivo.

Ao final de 2025, a produção da Alvorada era de 3 mil barris por dia. "Estamos com uma segunda operação que deve chegar a 22 mil barris diários e olhando para uma terceira", afirma Buzanelli. A meta da Alvorada para o médio prazo é alcançar uma produção diária de até 200 mil barris. A empresa está em tratativas com tradings de commodities e "muito próximos de fechar uma aliança", diz Buzanelli,.

Além de aprofundar a operação venezuelana, a Alvorada avalia entrar em outros mercados da América Latina. Colômbia, agora com uma nova administração mais alinhada aos Estados Unidos, e Bolívia, no segmento de gás, estão no radar. "Argentina é outro mercado que temos observado".

No Brasil, a companhia estuda uma eventual aquisição no mercado onshore, entre petroleiras já conhecidas do setor, sem revelar o alvo.

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