Embraer pode continuar vendo um movimento de elevação de preços nas ações. Foto: Leandro Fonseca. Data: 17/03/2025. (Leandro Fonseca/Exame)
Repórter de Invest
Publicado em 10 de janeiro de 2026 às 10h00.
Se você está procurando onde colocar o seu dinheiro com exposição à moeda americana, o BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) deu um veredito: a Embraer é a escolha preferida. Após um 2025 que os analistas a classificaram como excepcional, a fabricante brasileira de aviões entra em 2026 com uma visão otimista do mercado, apoiada, também, pelo Itaú BBA.
O preço da ação ordinária (EMBJ3) sobe, em média, 67% nos últimos 12 meses. Em 2025, a Embraer obteve vendas recordes na aviação comercial e a primeira venda do modelo E2 para uma companhia aérea dos Estados Unidos (EUA). De acordo com os analistas do BTG, ela conseguiu superar expectativas mesmo quando o real estava valorizado, o que torna o desempenho ainda mais impressionante para eles.
O desafio é manter esse pique este ano, na visão do banco de investimentos. No entanto, os grandes concorrentes globais, como Boeing e Airbus, estão enfrentando restrições de oferta, o que abre um caminho para a Embraer ter mais espaço no mercado de aeronaves “narrowbody”, ou seja, de fuselagem estreita, usado na aviação local.
Além disso, o setor de defesa deve continuar aquecido por conta das tensões geopolíticas mundiais, o que mantém os orçamentos militares em alta. O foco é, ainda, acompanhar o novo negócio de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL), o qual pode ser uma importante oportunidade de desenvolvimento dos negócios.
A explicação do BTG para colocar a fabricante no topo da lista é direta: “A Embraer é nossa principal escolha para exposição ao dólar americano devido à dinâmica favorável de oferta e demanda na indústria da aviação”. Basicamente, a empresa está no lugar certo, na hora certa, com os produtos certos.
E não é só o BTG que está de olho e otimista com a empresa. O Itaú BBA também reforçou a recomendação de compra para os papéis, com um preço-alvo de R$ 100,50, destacando o momento sólido em todas as unidades de negócio e o potencial da subsidiária EVE, que cuida dos "carros voadores", isto é, dos eVTOLs.
Já os investidores brasileiros ainda olham para a ação com desconfiança pelo valuation acima da média histórica, ao mesmo tempo que os estrangeiros, especialmente os europeus, estão bem mais animados, focando no potencial do setor de defesa, explicam os analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim, do BTG.
Mesmo com a valorização recente no preço das ações, a Embraer negocia com um desconto de, aproximadamente, 30% em relação aos seus pares globais na métrica EV/Ebitda, a 12x hoje. “Considerando os novos padrões de retorno, crescimento e custo de capital, apoiamos uma reavaliação das ações”, informa o BTG.
No fechamento de 2025, foram 85 aeronaves entregues apenas no quarto trimestre, superando levemente as projeções do Itaú BBA. O segmento de jatos executivos foi o grande destaque, atingindo o limite superior das expectativas, mas a aviação comercial ficou ligeiramente abaixo das expectativas do banco.
“No acumulado do ano, as entregas comerciais ficaram um pouco abaixo do ponto médio da estimativa de 81 aeronaves, com 78, enquanto o segmento executivo surpreendeu positivamente ao atingir o limite superior da projeção, com 155 unidades. Vemos esses números como levemente positivos”, explica o BBA.
O desempenho superior do segmento executivo deve compensar os volumes mais fracos no comercial. Todavia, como nem todo voo é sem turbulência, o mercado fica atento aos riscos: novas tarifas de importação nos EUA e problemas na cadeia de suprimentos ainda podem causar solavancos, segundo os especialistas.
Além disso, há a concorrência do Airbus A220 e a disputa por contratos pesados, como a licitação de transporte militar na Índia. Contudo, se a dívida estiver sob controle, em meio a um portfólio que vai do transporte militar C390 aos jatos executivos de luxo, a Embraer pode continuar vendo um movimento de elevação de preços nas ações.