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Eli Lilly faz mais de US$ 30 bi em aquisições no ano para depender menos do Mounjaro

Farmacêutica compra biotech Merida por US$ 2,88 bilhões e amplia aposta em imunologia

Eli Lilly: farmacêutica amplia aposta em imunologia com aquisição da Merida. (Sascha Lotz/picture alliance /Getty Images)

Eli Lilly: farmacêutica amplia aposta em imunologia com aquisição da Merida. (Sascha Lotz/picture alliance /Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 1 de setembro de 2026 às 12h00.

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A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, vai desembolsar até US$ 2,88 bilhões para comprar a plataforma experimental voltada a doenças autoimunes e alérgicas Merida Biosciences, em mais um movimento para diversificar seu portfólio além dos medicamentos contra obesidade e diabetes.

O acordo prevê um pagamento inicial e parcelas adicionais condicionadas ao cumprimento de determinados marcos, segundo comunicado da empresa divulgado na segunda-feira, 31. Os valores de cada etapa não foram revelados. A expectativa da Lilly é concluir a transação no quarto trimestre de 2026.

O principal ativo da Merida é o MER511, que está na fase 1 de desenvolvimento para tratamento da doença de Graves e a doença ocular da tireoide (TED, na sigla em inglês). A empresa desenvolve uma nova classe de terapias de precisão desenhadas para atingir seletivamente os anticorpos que provocam doenças relacionadas ao sistema imunológico.

"Estamos construindo nosso portfólio de produtos em torno de terapias que alteram significativamente o curso da doença, e não apenas seus efeitos decorrentes", afirma Francisco Ramírez-Valle, vice-presidente sênior de pesquisa em imunologia e desenvolvimento clínico inicial da Lilly, .

A Merida também possui o MER769, candidato experimental para alergia alimentar, asma e outras doenças alérgicas. A companhia mantém programas ainda mais iniciais voltados a doenças renais e outras condições mediadas pelo sistema imunológico.

Lilly acelera compras para reduzir dependência de obesidade

A compra da Merida faz parte de uma sequência de aquisições feitas pela Eli Lilly em 2026. A farmacêutica vem usando a força de seu negócio de medicamentos para obesidade e diabetes para ampliar o catálogo em outras áreas, com 13 negócios realizados no ano até agora.

As aquisições anunciadas pela companhia no ano superam os US$ 31 bilhões.

#Data anunciadaEmpresaÁrea / principal ativoValor anunciado
17 jan.Ventyx BiosciencesImunologia e inflamação; moléculas orais, incluindo inibidores de NLRP3Cerca de US$ 1,2 bilhão
29 fev.Orna TherapeuticsTerapia celular in vivo e RNA circularAté US$ 2,4 bilhões
331 mar.Centessa PharmaceuticalsNeurociência; distúrbios do sono e narcolepsiaAté US$ 7,8 bilhões
414 abr.CrossBridge BioOncologia; ADCs de dupla cargaAté US$ 300 milhões
520 abr.Kelonia TherapeuticsCAR-T in vivo e medicina genéticaAté US$ 7 bilhões
627 abr.Ajax TherapeuticsOncologia; cânceres do sangueAté US$ 2,3 bilhões
720 mai.Engage BiologicsMedicina genética; entrega não viral de DNAAté US$ 202 milhões
826 mai.CurevoVacinas; herpes-zósterAté US$ 1,5 bilhão
926 mai.LimmaTech BiologicsVacinas contra infecções bacterianasAté US$ 780 milhões
1026 mai.Vaccine CompanyVacinas; vírus Epstein-BarrAté US$ 1,55 bilhão
1116 jun.4E TherapeuticsNeurociência; dor crônica não opioideNão divulgado
1216 jul.AtaiBeckleySaúde mental; depressão resistente ao tratamentoUS$ 2,8 bilhões no fechamento + até US$ 1 bilhão em CVRs
1331 ago.Merida BiosciencesImunologia; doenças autoimunesAté US$ 2,875 bilhões
Fontes: Eli Lilly; documentos regulatórios apresentados à SEC; BioPharma Dive; Fierce Biotech; PR Newswire.
Valores correspondem às cifras anunciadas nas transações e, em vários casos, incluem pagamentos condicionados ao cumprimento de metas clínicas, regulatórias ou comerciais.
A aquisição da 4E Therapeutics não teve valor divulgado.

A Lilly ampliou sua atuação em áreas de tratamento como inflamação, terapias celulares, oncologia, neurociência e doenças infecciosas. Entre os negócios estão Ventyx Biosciences, Orna Therapeutics, Centessa Pharmaceuticals, Kelonia Therapeutics, Ajax Therapeutics, Curevo, LimmaTech Biologics e Vaccine Company.

Diversificação é o principal ganho para a Lilly

A Lilly construiu uma posição de destaque no mercado de obesidade e diabetes com medicamentos como Mounjaro e Zepbound. O sucesso desses produtos, porém, também aumenta a exposição da companhia a essas duas áreas.

A plataforma da Merida pode criar uma nova frente de crescimento em imunologia caso a tecnologia consiga demonstrar eficácia em diferentes doenças.

A abordagem também busca se diferenciar dos tratamentos que suprimem o sistema imunológico de maneira ampla. O potencial, porém, vem acompanhado de risco. O MER511 ainda está na fase 1 e que resultados iniciais positivos nos anticorpos não significam necessariamente sucesso clínico nos testes maiores.

A Merida também é uma empresa muito jovem. A companhia foi criada em 2025 e havia levantado US$ 121 milhões em uma rodada Série A antes da aquisição. O valor máximo de US$ 2,875 bilhões, portanto, representa um prêmio significativo sobre o capital que havia sido investido na biotech.

Concorrência aumenta o risco da aposta

As doenças que a Merida busca tratar já contam com medicamentos aprovados. E, para conquistar uma parcela relevante desses mercados, os produtos da empresa terão de demonstrar vantagens em aspectos como eficácia, segurança, duração do efeito ou conveniência.

O negócio também faz parte de uma estratégia maior de alocação de capital. A Lilly vem aumentando o número de aquisições de biotecnologias em estágios iniciais, o que pode fortalecer o catálogo, mas também ampliar o risco de alguns dos programas comprados não chegarem ao mercado.

Lilly e Novo Nordisk seguem caminhos diferentes

A ofensiva de aquisições da Lilly contrasta com o momento vivido pela rival Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Wegovy. No primeiro trimestre, a Lilly registrou crescimento de 55,55% na receita e elevou sua projeção para o ano. O Mounjaro gerou US$ 8,66 bilhões, alta de 125% em relação ao ano anterior, enquanto Zepbound alcançou US$ 4,16 bilhões, avanço de 80%.

Já o volume de vendas da Lilly aumentou 65%, mais do que compensando uma queda de 13% nos preços.

A Novo Nordisk, por outro lado, projetou queda de 4% a 12% nas vendas ajustadas em moeda constante e iniciou uma reestruturação. A companhia cortou cerca de nove mil postos de trabalho e anunciou reduções nos preços de lista do Wegovy e do Ozempic a partir de 1º de janeiro de 2027.

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