Eletrobras (ELET6), Fleury (FLRY3), Méliuz (CASH3): as maiores altas e baixas do Ibovespa em junho

Índice desaba 11% e tem pior mês na bolsa desde o início da pandemia; apenas quatro ações encerram junho com saldo positivo
Linhas de transmissão da Eletrobras: empresa recém-estatizada lidera ganhos do Ibovespa em junho (Dado Galdieri/Bloomberg)
Linhas de transmissão da Eletrobras: empresa recém-estatizada lidera ganhos do Ibovespa em junho (Dado Galdieri/Bloomberg)
Beatriz Quesada
Beatriz Quesada

Publicado em 30/06/2022 às 18:10.

Última atualização em 30/06/2022 às 18:23.

Junho terminou com forte perda para o Ibovespa. O principal índice da bolsa brasileira recuou 11,5% no mês, atingindo seu pior resultado mensal desde março de 2020, início da pandemia.

A derrocada veio na esteira do desempenho do mercado externo. Por lá, o principal índice americano, o S&P 500, teve o pior desempenho para um primeiro semestre desde 1970. Investidores temem que a economia entre em recessão, pressionada pela batalha dos bancos centrais para conter a inflação.

O cenário negativo afetou as ações de maneira generalizada, e apenas quatro dos 91 papéis que compõe o Ibovespa conseguiram encerrar o mês no positivo: Eletrobras (ELET6/ELET3), Fleury (FLRY3) e Weg (WEGE3).

A Eletrobras foi beneficiada por sua recente privatização, concretizada na segunda semana de junho. Altamente esperada pelo mercado, a expectativa é que a operação destrave valor para a ex-estatal, impulsionando as ações. O papel preferencial da companhia já subiu 12% desde a privatização e, segundo o banco suíço UBS, a ação ainda pode avançar mais 53%.

Já o Fleury deve seus ganhos de junho a um único pregão – o de hoje – quando a ação disparou 16,10% e liderou as altas do Ibovespa. O papel reagiu à notícia de fusão com a Hermes Pardini (PARD3). A operação ainda precisa passar por aprovação de acionistas e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão antitruste.

"Os negócios se complementam muito bem. Preliminarmente já vemos um ganho de Ebitda de 15% a 20% na nova empresa com a união das operações e redução de custos operacionais. É uma sinergia muito positiva para o setor e para as duas empresas”, avalia Danielle Lopes, sócia e analista de ações da Nord Research.

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Na outra ponta do índice, a alta de juros prejudicou, principalmente, os papéis de tecnologia e de consumo, que são os mais afetados em um cenário de juros mais altos. O movimento se refletiu no Brasil, e Méliuz (CASH3) foi o principal destaque negativo no mês, seguida de perto por Magazine Luiza (MGLU3) e Via (VIIA3).

"Consumo é um setor que, historicamente, possui margens pequenas, em função da acirrada concorrência por preços. Ademais, há uma dependência relevante por crédito em função do público servido. Contudo, com o atual cenário de inflação e juros elevados, o consumo de bens não essenciais torna-se mais difícil, o que acaba comprometendo o desempenho das companhias", disse Lucas Serra, analista da Toro Investimentos.

Outros papéis que sofreram em junho foram os das aéreas Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4), além da operadora de turismo CVC (CVCB3). Para Régis Chinchila, analista da corretora Terra Investimentos, o setor foi impactado pela recessão e pela volatilidade no preço do petróleo.

“Mesmo com a baixa do petróleo no mês, os preços continuam em patamares altos, em torno de US$ 114 por barril. Além disso, os estoques da commodity estão mais baixos e a desaceleração global tende a diminuir a demanda”, afirma Chinchila.

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