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Efeito Lula: 92% das ações do Ibovespa fecham semana em alta

Principal índice da B3 sobe 3% na semana pós-eleições, com investidores aguardando próximos passos do novo governo

Painel de cotações da B3: definição do cenário eleitoral fortalece bolsa (Germano Lüders/Exame)

Painel de cotações da B3: definição do cenário eleitoral fortalece bolsa (Germano Lüders/Exame)

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Beatriz Quesada

Publicado em 4 de novembro de 2022, 18h28.

Última atualização em 4 de novembro de 2022, 18h51.

O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, encerrou a primeira semana pós-eleições em alta de 3,16%. No último domingo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) derrotou o atual presidente Jair Bolsonaro (PL) e foi eleito como o novo presidente do país.

O fim das incertezas eleitorais abriu as portas para uma semana de tendência positiva generalizada na bolsa. Entre as 92 ações do índice, 85 registraram alta nesta semana.

“De maneira muito similar ao que aconteceu depois do primeiro turno, tivemos um movimento de alta sistêmico com a definição de Lula eleito junto a um Congresso de direita, o que indica um futuro governo mais centrista”, avalia Matheus Spiess, analista da Empiricus.

Spiess destaca, ainda, a força do investidor estrangeiro. No dia 31, logo após as eleições, o estrangeiro entrou com R$ 1,89 bilhão na bolsa brasileira

“Não é um juízo político, mas o estrangeiro prefere o Lula. Grandes fundos retiram restrições de investimentos e voltam a olhar o Brasil com bons olhos. É algo que pode trazer um fluxo interessante de investimento”, argumenta.

Vale lembrar que o índice teve bom desempenho mesmo com um dia a menos de pregão na semana devido ao feriado de Finados, na quarta-feira. O feriado, a propósito, foi marcado por um dia de turbulência no exterior com o anúncio de uma nova alta de juros nos Estados Unidos, que impactou o Ibovespa apenas marginalmente.

“O índice teve um desempenho melhor que as principais bolsas internacionais na semana”, completa. Para as próximas semanas, no entanto, o cenário pode ser mais desafiador, com investidores atentos aos próximos passos de Lula na área econômica. Os maiores pontos de atenção são o anúncio da equipe de ministros e qual deve ser a âncora fiscal da nova gestão petista.

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Como as eleições impactaram as ações

A avaliação dos analistas é de que o índice foi contagiado de forma positiva pelas eleições.

A exceção fica com a Petrobras, que perdeu R$ 54 bilhões em valor de mercado na semana de vitória de Lula, com investidores temerosos sobre o futuro da estatal. O último ruído neste sentido derrubou os papéis da petroleira em mais de 5% hoje, com questionamentos sobre o pagamento de dividendos bilionários aos acionistas.

Além da estatal, apenas Alpargatas, Rumo, Hypera, Suzano e JBS fecharam a semana em queda. Vale lembrar que até o mesmo o Banco do Brasil, que caiu 4% no pregão pós-eleições, se recuperou junto à tendência geral de recuperação do mercado.

Na ponta oposta, as ações do chamado “kit Lula” fecharam a semana em alta, com destaque para os setores de turismo, varejo, educação e construção.

“Gestores estão comprando papéis de educação e construção imaginando um reavivamento de políticas como o Fies, Minha Casa Minha Vida, isso tudo ajuda”, argumenta Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos.

Cruz avalia que, no setor de turismo, houve também uma leitura específica de que a vitória de Lula poderia dar força à demanda de classes mais baixas por viagens, o que, somado à queda de 4,6% do dólar na semana, impulsionou os papéis de Gol e CVC para altas superiores a 14%.

O topo do pódio, no entanto, ficou com a petroleira 3R Petroleum e a varejista São Martinho, que subiram em torno de 15%. No caso da 3R, a empresa conseguiu aproveitar a forte alta do petróleo na semana, movimento que passou batido pela Petrobras, imersa em risco político.

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