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Efeito Americanas: empresas do trio 3G perdem R$ 60 bilhões em valor de mercado

Lemann, Telles e Sicupira são sócios desde a década de 1970 e donos de gigantes como AB InBev e Kraft Heinz

3G Capital: negócios dos sócios perderam valor junto com a Americanas (Webb Chappell Photography/Divulgação)

3G Capital: negócios dos sócios perderam valor junto com a Americanas (Webb Chappell Photography/Divulgação)

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Raquel Brandão

20 de janeiro de 2023, 11h48

A descoberta de R$ 20 bilhões em inconsistências financeiras no balanço da Americanas (AMER3) custou caro aos bolsos de três dos mais famosos empresários brasileiros - e donos das maiores fortunas do país: os sócios do 3G Capital, Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira. O efeito do caso se espalhou pelos negócios do trio, que também é acionista na maior cervejaria do mundo, a AB InBev, na fabricante de alimentos Kraft Heinz e na rede de restaurantes Restaurants Brands International (dona da rede Burger King).

Desde a noite do dia 11 de janeiro, quando um fato relevante anunciava o problema e renúncio de Sérgio Rial e André Covre, os negócios dos empresários perderam R$ 60 bilhões em valor de mercado. Para chegar a esse cálculo, foram consideradas as variações dos valores de mercados de Ab InBev, Kraft Heinz, Restaurants Brands International, Zamp (dona do Burger King no Brasil), Ambev (controlada pela AB InBev) e a Americanas. Para os valores em euro a cotação adotada foi a de R$ 5,60. Nos valores em dólar, a de R$ 5,17. O grupo também é dono desde o fim de 2021 da fabricante de persianas Hunter Douglas, que não foi considerada nesse cálculo.

O maior impacto foi mesmo da Americanas (AMER3), cuja capitalização despencou de R$ 10,82 bilhões para R$ 911 milhões, com a ação a R$ 1,00 após a confirmação do pedido de recuperação judicial, na quinta-feira, 19. Como resultado, as ações da varejista deixaram de integrar todos os índices da B3. No Ibovespa, principal índice da Bolsa, a empresa representava 0,37% até o dia 11. Mais recentemente respondia por 0,05%.

Veja também: Os bastidores do rombo de R$ 20 bi na Americanas e quais as possíveis soluções

A queda também é bastante representativa nas ações da Ambev, que valia R$ 224,95 bilhões até o dia 11, mas que perdeu mais de R$ 10 bilhões. Hoje, o valor de mercado soma R$ 214,83 bilhões. A controladora global valia 114 bilhões de euros, mas passou a valer 110,6 bilhões de euros oito dias depois.

A Kraft Heinz, dona da marca de ketchup Heinz  e, no Brasil, de marcas de molhos e enlatados como a Quero, também já passou por problemas contábeis. A empresa, na qual o trio é sócio de Warren Buffet, precisou fazer baixas contábeis de US$ 15,4 bilhões há quatro anos.

Já as ações do grupo de restaurantes Restaurants Brands International, que é dono da Burger King, ficaram mais estáveis. O valor de mercado pouco variou, passando de US$ 20,1 bilhões para US$ 20 bilhões. Já a Zamp, que reúne as lojas da Burger King e da Popeyes no Brasil, deixou de valer R$ 1,48 bilhão e passou a ser avaliada em R$ 1,42 bilhão.

Quem são Lemann, Telles e Sicupira

Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira são conhecidos como os maiores empresário do Brasil. O trio se uniu ainda nos anos 70, no antigo banco Garantia, onde começaram a investir em companhias. O primeiro passo foi justamente com a Americanas.

Depois disso, o trio criou a maior cervejaria nacional. Primeiro comprou a Brahma e, depois, a concorrente Antarctica, criando a Ambev. Em 2011, se aventuraram para além do Brasil, se unindo à belga Interbrew. Essa nova cervejaria global depois uniu-se à americana Anheuser-Busch, formando a AB InBev, maior cervejaria do mundo. 

A expansão internacional não parou aí. Anos depois, o trio se juntou a Warren Buffet e comprou a Kraft Heinz. Também se tornou sócio da Restaurants Brands International, dona da rede de fast food Burger King. Em 2021 os três compraram 75% da fabricante de persianas Hunter Douglas.

O reconhecimento da gestão do 3G veio com o sucesso do modelo de redução máxima de custos, busca por ganhos em eficiência com metas agressivas e crescimento por aquisições. Esse modelo vem sendo questionado nos últimos anos e mesmo Lemann já se declarou um "dinossauro" ao falar das mudanças no mundo dos negócios.