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Dólar fecha no menor nível em quase dois anos e cai 1,02% na semana

A moeda americana fechou em queda de 0,98%, cotado a R$ 5,176 — no menor nível em 21 meses

Dólar em queda frente ao real: com o desempenho desta sexta-feira, o dólar acumula uma desvalorização de 1,02% na semana frente ao real. (Designed by/Freepik)

Dólar em queda frente ao real: com o desempenho desta sexta-feira, o dólar acumula uma desvalorização de 1,02% na semana frente ao real. (Designed by/Freepik)

Publicado em 20 de fevereiro de 2026 às 17h22.

Última atualização em 20 de fevereiro de 2026 às 17h34.

O dólar à vista teve queda firme frente ao real na sessão desta sexta-feira, 20. A moeda americana já recuava pela manhã, em meio a ajustes de posições, e o movimento ganhou força após a notícia de que a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou medidas tarifárias do presidente Donald Trump.

Ao fim do pregão, a moeda americana fechou em queda de 0,98%, cotado a R$ 5,176 — no menor nível em 21 meses. O patamar não era visto desde o fim de maio de 2024, quando a moeda encerrou a R$ 5,15.

Com o desempenho desta sexta-feira, o dólar acumula uma desvalorização de 1,02% na semana frente ao real.

A decisão do Supremo considerou ilegais as tarifas impostas unilateralmente pelo ex-presidente com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), de 1977. Na prática, isso reduz a incerteza jurídica e enfraquece a estratégia de usar tarifas amplas — que chegaram a variar entre 10% e 50% — como instrumento central de política econômica.

"A discussão na Justiça americana foi que pode ser colocado sobre alguns países as tarifas, o que não pode é falar que o mundo inteiro está fazendo alguma prática desonesta contra os EUA", disse Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos.

As tarifas vinham sendo apontadas como possível pressão inflacionária nos Estados Unidos, pois encarecem produtos importados e elevam preços ao consumidor. "Eu acho que essa decisão diminui a incerteza e enfraquece um pouco a força do Trump", afirma Cruz.

Dados da economia americana também pesaram sobre a moeda

Mas a queda do dólar nesta sexta também refletiu a combinação de sinais de enfraquecimento da economia americana, após dados mistos e crescimento mais fraco do Produto Interno Bruto (PIB).

O PIB americano cresceu 1,4% no quarto trimestre, em base anualizada, muito abaixo da alta de 2,5% estimada por analistas consultados pelo The Wall Street Journal. O indicador desacelerou em relação ao terceiro trimestre, quando cresceu 4,4%.

Para William Castro, estrategista-chefe da Avenue, o PIB dos Estados Unidos veio mais fraco que o esperado, mas tem uma explicação qualitativa relevante: a forte queda dos gastos do governo federal no quarto trimestre, impactados pelo shutdown, que distorceu o resultado agregado, enquanto consumo e investimento privado mostraram desempenho sólido.

Mas o dado de inflação medida pelo PCE preocupou os investidores, especialmente a aceleração do núcleo para 3%, acima do consenso e da meta de 2% do Federal Reserve (Fed), com pressão concentrada em bens duráveis, possivelmente refletindo o efeito de tarifas.

"Esse dado de inflação medido pelo PCE, que é o que o Fed mais olha para definir política monetária, veio acima do esperado e puxando a inflação para cima. Isso só sacramenta a ideia de que a gente não deve ter corte de juros tão cedo nos Estados Unidos. As apostas que estavam em junho tendem a migrar para julho. E começa a surgir aquele receio de que a taxa de juros possa até subir neste ano. Não estou dizendo que vá subir, mas a probabilidade deixa de ser zero", afirmou Castro Alves.

"Ao mesmo tempo, a fraqueza do dólar no exterior favoreceu moedas emergentes, enquanto o real foi adicionalmente sustentado por perspectivas ainda positivas de fluxo para ativos brasileiros. No mercado doméstico, o movimento ganhou intensidade com ajustes técnicos, especialmente após o rompimento do suporte de R$ 5,20, ampliando a pressão de baixa ao longo do pregão", acrescentou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

O que é o dólar à vista

O dólar à vista é o valor negociado no mercado de câmbio para liquidação imediata, geralmente em até dois dias úteis. Esse tipo de câmbio é bastante utilizado em operações de curto prazo feitas por empresas e instituições financeiras.

A cotação do dólar à vista reflete o valor real de mercado no momento da transação, oferecendo transparência para quem precisa fechar negócios com rapidez.

O que é o dólar futuro

O dólar futuro corresponde a contratos de compra e venda da moeda para liquidação em uma data futura. Essa modalidade é negociada na Bolsa de Valores e ajuda empresas e investidores a se protegerem da volatilidade cambial.

Sua cotação varia conforme as expectativas do mercado em relação à economia, podendo se distanciar bastante do dólar à vista em momentos de incerteza.

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