Dólar em alta provoca corrida de investidores por hedge com opções

Moeda brasileira reverte trajetória de valorização do começo do ano em razão de fatores como o iminente encerramento do ciclo de alta de juro no país
Sede do Banco Central em Brasília: aperto monetário deve acabar em maio, apontou Campos Neto (Reuters/Ueslei Marcelino)
Sede do Banco Central em Brasília: aperto monetário deve acabar em maio, apontou Campos Neto (Reuters/Ueslei Marcelino)
Por BloombergPublicado em 26/04/2022 19:00 | Última atualização em 26/04/2022 19:26Tempo de Leitura: 2 min de leitura

A disparada do dólar está estimulando uma corrida em busca de proteção por meio de opções, o que eleva o custo de hedge contra a depreciação adicional do real para o patamar mais alto em mais de um ano.

A volatilidade implícita de um mês da moeda subiu 3,3 pontos percentuais nos últimos três dias, para 20,9%, a maior desde março de 2021. O real foi a moeda com pior desempenho no mundo nesse período, com uma queda de mais de 7%. Agora o dólar se aproxima do nível psicológico chave de R$ 5,00.

Operadores estão reduzindo as apostas na valorização do real após um forte rali que o tornou a moeda de melhor desempenho entre as principais divisas neste ano em relação ao dólar.

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A alta da taxa de juros no Brasil -- atualmente em 11,75% ao ano -- e sua economia ligada a commodities atraíram investidores estrangeiros para o mercado local, mas o rali também tornou o real mais vulnerável a uma correção, o que ficou claro na oscilação da moeda nesta terça-feira, dia 26. Enquanto o dólar sobiu cerca de 2%, com o real liderando perdas entre os principais pares, o desempenho dos juros futuros e da bolsa no Brasil esteve em linha com pares.

Embora o principal impulsionador da liquidação do real seja externo, o câmbio também está sendo pressionado pela preocupação de que o Banco Central cumpra seu plano de encerrar o ciclo de aperto monetário na próxima semana em maio, apesar dos dados de inflação acima do esperado.

A alta do dólar fez o BC a agir, e a autoridade monetária anunciou uma intervenção nesta terça, ofertando cerca de US$ 500 milhões em contratos de swaps cambiais. Na última sexta-feira, dia 22, o banco vendeu US$ 571 milhões no mercado à vista. Foi a primeira intervenção desse tipo neste ano.

“‘Eles têm sido bastante claros [na mensagem de que] que não estão defendendo um nível, mas suavizando flutuações", disse Olga Yangol, chefe de estratégia de mercados emergentes para as Américas no Credit Agricole. “Eu não espero que eles defendam R$ 5,00.”