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Dólar acelera alta, avança mais de 3% e chega ao patamar de R$ 5,30

Os preços dos contratos futuros do ouro aprofundaram as perdas e recuam mais de 3% em meio ao fortalecimento do dólar

Apostas: mercado de previsão movimenta milhões de dólares sobre conflito no Irã. (Designed by/Freepik)

Apostas: mercado de previsão movimenta milhões de dólares sobre conflito no Irã. (Designed by/Freepik)

Publicado em 3 de março de 2026 às 12h19.

O dólar à vista acelerou a alta frente ao real nesta terça-feira, 3, em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio. Investidores buscam proteção diante do risco de interrupção no fluxo global de petróleo. Às 12h12 (horário de Brasília), a moeda americana subia 3,17%, cotada a R$ 5,33 — o maior valor desde o dia 20 de janeiro, quando foi vendida a R$ 5,37.

O movimento ocorre após o anúncio do fechamento do estreito de Hormuz para navegação, em meio ao conflito envolvendo EUA, Israel e Irã. A região é rota estratégica para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito. Cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos diariamente no mundo passam pelo estreito.

A Guarda Revolucionária do Irã ameaçou incendiar embarcações que tentarem atravessar o trecho, o que elevou o temor de interrupção no abastecimento global. Os preços do petróleo reagiram imediatamente. Às 8h45, o barril do Brent, referência internacional, era negociado acima de US$ 84,31, alta de 8% no dia.

A escalada no conflito amplia a aversão ao risco e fortalece o dólar globalmente, movimento que atinge moedas emergentes como o real. “O real subiu mais nas últimas semanas em comparação com demais moedas emergentes. Agora, temos uma correção, com a moeda brasileira caindo mais. Isso mostra a liquidez da divisa”, explica Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank.

No cenário doméstico, investidores ainda digerem o PIB do quarto trimestre, que veio em linha com a expectativa, com alta de 0,1%, fechando o ano em 2,3%.

“O cenário, pelo lado da demanda, permanece apropriado para o início do ciclo de redução na Selic na próxima reunião do Copom. A alta do petróleo pode trazer algum incômodo, com maior risco no cenário externo, mas não tira o espaço para o início dos cortes no ritmo de 50 bps”, opina Rafaela Vitoria, economista-chefe do Inter.

Cristiane, no entanto, pondera. “Não muda a projeção para a queda da Selic, mas pode haver um tom mais cauteloso, com uma queda de juros lenta e gradual. Mas, hoje, o comportamento do mercado está ligado ao cenário externo”, afirma.

Na segunda, o mercado já havia reagido ao conflito, mas em direções distintas. O dólar fechou em alta de 0,60%, a R$ 5,164, após tocar R$ 5,215 na máxima do dia. Ao longo da tarde, a moeda perdeu força e reduziu parte dos ganhos.

Ouro recua com fortalecimento do dólar

Os preços dos contratos futuros do ouro aprofundaram as perdas e recuam mais de 3% em meio ao fortalecimento do dólar.

Por volta das 12h13, o ouro com entrega prevista para abril caía 5,54%, a US$ 5.o19,84 por onça-troy. Na segunda-feira, o ouro subiu para pouco mais de US$ 5.400 por onça-troy, superando outros ativos de proteção, mas voltou a recuar.

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