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Do cofre ao caixa: ouro vira fonte de liquidez em meio à tensão nos mercados

A mudança de posição dos bancos centrais no mercado de ouro sinaliza uma crescente demanda global por liquidez em dólar, em meio ao aperto monetário e à pressão sobre moedas emergentes

Ouro: pressão externa força bancos centrais a agir rápido. (AFP/AFP)

Ouro: pressão externa força bancos centrais a agir rápido. (AFP/AFP)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 15 de abril de 2026 às 10h34.

O comportamento dos bancos centrais no mercado de ouro começou a mudar, e o sinal decorrente disso tem menos a ver com o metal em si e mais com o nível de estresse da economia global.

Depois de anos liderando a demanda e sustentando os preços, essas instituições passaram a reduzir posições. Na prática, o ouro deixou de ser apenas proteção e passou a ser vendido para gerar liquidez imediata.

Não por falta de confiança no ativo, mas por necessidade em um ambiente de dólar forte, juros elevados e energia cara. Isso mostra justamente o porquê da alteração na prioridade, segundo fontes ouvidas pela CNBC.

O aumento dos custos de energia com a guerra no Irã, somado ao aperto monetário nas principais economias, vêm também pressionando moedas de países emergentes e encarecendo o acesso a financiamento externo.

Não há deterioração

Esta alteração no fluxo — de compra para venda — veio após um período de valorização intensa do ouro. E ela não é interpretada como uma deterioração estrutural do ativo.

"Você comprou ouro para o caso de uma crise. Agora a crise chegou", diz Adrian Ash, diretor de pesquisa da BullionVault.

O fato de o ouro estar sendo utilizado em momentos de estresse reforça sua capacidade de preservar valor e ser convertido rapidamente em liquidez, complementaram especialistas à CNBC.

A tese de longo prazo segue praticamente intacta, mesmo diante de ajustes no curto prazo.

O movimento aparece com mais intensidade em economias vulneráveis ao câmbio, como nos países emergentes. Na Turquia, a autoridade monetária intensificou operações com ouro para conter a desvalorização da moeda.

Alguns bancos centrais estão, neste cenário, financiando "o aumento dos gastos com energia e defesa ou para proteger moedas em desvalorização", explicou chefe de estratégia de metais da MKS Pamp, Nicky Shiels.

Preços em correção

Com os preços em correção, cresce a atenção sobre o comportamento de grandes compradores institucionais. Países com grandes reservas, como a China, tendem a aumentar exposição em momentos de fraqueza do mercado.

Esse tipo de movimento pode funcionar como um piso para as cotações, reduzindo o espaço para quedas mais acentuadas, descreveram fontes à CNBC. Não se sabe ainda até que ponto chegará este patamar.

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