O que move os mercados: pano de fundo externo segue no radar, mas a agenda desta terça traz uma bateria de indicadores e discursos capazes de mexer com as expectativas de juros e crescimento (Leandro Fonseca/Exame)
Repórter
Publicado em 24 de fevereiro de 2026 às 05h30.
Os mercados iniciam esta terça-feira, 24, ainda digerindo a forte volatilidade da véspera. Depois de renovar a máxima histórica intradiária e superar os 191 mil pontos, o Ibovespa perdeu fôlego e fechou em queda de 0,88%, aos 188.853 pontos, em meio ao aumento da aversão ao risco global após o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de elevação da tarifa global de importação de 10% para 15%.
O movimento pressionou as bolsas em Nova York — com quedas no Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq — e levou à realização de lucros na bolsa brasileira, especialmente em ações de bancos, que vinham acumulando ganhos expressivos.
O pano de fundo externo segue no radar, mas a agenda desta terça traz uma bateria de indicadores e discursos capazes de mexer com as expectativas de juros e crescimento.
Logo cedo, às 8h, a Fundação Getulio Vargas (FGV) divulga o INCC-M de fevereiro e a Sondagem da Construção, indicadores relevantes para calibrar expectativas sobre inflação e atividade no setor imobiliário.
Às 8h30, o Banco Central publica as Estatísticas do Setor Externo, com dados de Transações Correntes e Investimento Direto no País referentes a janeiro.
Na divulgação anterior, o déficit em transações correntes foi de US$ 3,36 bilhões, enquanto o Investimento Estrangeiro Direto registrou déficit de US$ 5,25 bilhões. Os números ajudam a medir o financiamento das contas externas e o apetite do capital estrangeiro pelo Brasil.
Ainda no campo doméstico, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulga a Sondagem Industrial.
No mercado de renda fixa, o Tesouro Nacional realiza, às 11h30, leilão de LFT e NTN-B. O resultado pode oferecer sinais sobre a demanda por títulos pós-fixados e indexados à inflação, em um momento de atenção redobrada às expectativas para juros.
Nos Estados Unidos, o foco se divide entre indicadores e uma intensa agenda de autoridades do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).
Às 10h, o presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, discursa. Ao longo da manhã, falam ainda Raphael Bostic, Susan Collins, Christopher Waller e Lisa Cook, todos integrantes do Fed. No fim do dia, às 17h15, está previsto discurso de Thomas Barkin. O volume de falas pode influenciar as apostas do mercado sobre os próximos passos da política monetária americana.
No campo de dados, o destaque é o índice de confiança do consumidor de fevereiro, divulgado às 12h pelo Conference Board. Em janeiro, o indicador marcou 84,5 pontos, e a expectativa do mercado é de avanço para 86 pontos. O dado é acompanhado de perto por oferecer pistas sobre o ritmo de consumo, principal motor da economia americana.
Também entram no radar a média móvel semanal de criação de vagas no setor privado, medida pela ADP, e o leilão de T-notes de dois anos, às 15h, que pode sinalizar o humor dos investidores em relação aos juros de curto prazo.
Após o fechamento do mercado, a American Petroleum Institute divulga os estoques de petróleo bruto. Na última leitura, houve queda de 609 mil barris.
À noite, às 23h, o presidente Donald Trump volta a discursar. Em um ambiente já sensível após o anúncio de aumento de tarifas, qualquer sinalização adicional na área comercial pode repercutir nos ativos globais.
No calendário corporativo, investidores acompanham os resultados de Mercado Livre, C&A, Iguatemi e GPA. Os números podem gerar movimentações pontuais nas ações, em meio a um mercado que vem alternando recordes e realizações.
No campo político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumpre agenda em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, onde se reúne com o presidente do país, xeique Mohammed bin Zayed Al Nahyan. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, acompanha o encontro. Lula retorna a Brasília às 20h.