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De metaverso a imóveis: as apostas da gestora de fortunas do Goldman

Meena Flynn lidera divisão do banco que faz a gestão de clientes com patrimônios elevados e recomenda ações de determinados setores para superar inflação e alta do juro
Gestora de patrimônio do Goldman Sachs ainda vê oportunidades no mercado acionário | Foto: Scott Eells/Bloomberg (Bloomberg/Scott Eells)
Gestora de patrimônio do Goldman Sachs ainda vê oportunidades no mercado acionário | Foto: Scott Eells/Bloomberg (Bloomberg/Scott Eells)
Por BloombergPublicado em 08/01/2022 08:15 | Última atualização em 07/01/2022 23:39Tempo de Leitura: 4 min de leitura

Por Devon Pendleton

Como co-head de gestão de patrimônio (fortuna) global do Goldman Sachs, Meena Flynn ajuda a orientar decisões de investimento de clientes com patrimônios elevados em todo o mundo.

Flynn, que mora em Nova York e está no banco de investimento há mais de duas décadas, disse à Bloomberg por que está recomendando aos clientes aproveitar ações em um mundo que enfrenta inflação e um Federal Reserve mais ativo.

Quando se trata dos chamados investimentos alternativos, Flynn tem sugestões ligadas ao metaverso e ao mercado imobiliário.

Os comentários da co-head de private wealth management do Goldman Sachs foram condensados e editados para transmitir maior clareza.

Se a senhora tivesse um cliente com US$ 1 milhão para investir agora, o que aconselharia?

Estamos inclinados para ações e ativos alternativos para combater a potencial erosão de riqueza pela inflação.

Em uma estratégia agressiva de alocação de ativos, vemos os clientes com exposição combinada de ações e private equity ao redor de 75%, e outros 7% em outros produtos alternativos. Ainda que os investimentos de renda fixa estejam com retornos reais mais baixos, estamos orientando os clientes a manterem dinheiro em caixa e reservas em renda fixa para serem oportunistas.

Ações têm sido historicamente a classe de ativos mais consistente em apresentar um desempenho acima da inflação, embora em casos de pressões de preços ainda mais significativas, como nas décadas de 1970 e 1980, elas tenham o potencial de produzir retornos reais negativos.

Nossa visão é que estamos em uma expansão de vários anos e que a economia e as ações devem apresentar um bom desempenho neste ano. Preferimos os Estados Unidos em vez de ações internacionais e ações de valor ante as de crescimento.

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Alguma área específica que considere interessante?

Vemos algumas oportunidades. Uma delas são empresas financeiras, à luz do potencial início de aumento da taxa de juros neste ano. Outra é energia, que oferece um rendimento atrativo ao mesmo tempo que uma disciplina de capital. E depois há ações de saúde, que cresceram durante a pandemia e têm forte potencial para um ciclo contínuo de inovação.

Meena Flynn, co-head global de gestão de patrimônio do Goldman Sachs

Meena Flynn, co-head global de gestão de patrimônio (private wealth management) do Goldman Sachs | Foto: Bloomberg (Bloomberg/Bloomberg)

E quanto a mercados alternativos?

Estamos focados em ativos tangíveis, mais especificamente imóveis. Um exemplo são os empreendimentos multifamiliares, diante do potencial de se beneficiarem de um ambiente inflacionário e da alta dos aluguéis.

Passando para algumas oportunidades menos tradicionais, estamos focados em áreas do mercado que são menos maduras e podem se beneficiar conforme migramos para um mundo mais digital. Estamos aproveitando as oportunidades em tecnologia e outros setores como healthtech e fintech, que estão preparados para ficarem na vanguarda das mudanças seculares no mercado.

Outra área que monitoramos é o ecossistema de ativos digitais. Estamos interessados em investimentos que estão no cerne da inovação nesse espaço, como o uso de tecnologia blockchain para gerenciamento de cadeia de suprimentos, sistemas de saúde ou transações de mercado de capitais. Ou blockchain relacionado à Web 3.0 e ao metaverso.

Para obter exposição a esses temas nos mercados privados, os investidores podem procurar empresas de venture capital que tenham um foco explícito em inovações. Eles podem espelhar isso nos mercados públicos até certo ponto, investindo em cestas de ações com exposição à tecnologia blockchain ou em empresas que usam tecnologia para operarem seus negócios com mais eficiência.