Credit Suisse vê alto risco de recessão nos EUA e pede cautela com ações

Banco americano prevê impactos nas bolsas por piora das projeções de lucro das empresas
Bandeira dos EUA na Bolsa de Nova York (NYSE) (Getty Images/Spencer Platt)
Bandeira dos EUA na Bolsa de Nova York (NYSE) (Getty Images/Spencer Platt)
Por Guilherme GuilhermePublicado em 17/05/2022 15:03 | Última atualização em 17/05/2022 15:03Tempo de Leitura: 4 min de leitura

A realidade de crescimento, estímulos e ações em alta que imperou nos Estados Unidos desde o pró-crise de 2008 está cada vez mais ameaçada. As ações já estão em queda desde as máximas de novembro, os estímulos estão diminuindo com o aperto monetário do Federal Reserve (Fed) e agora o crescimento pode dar lugar a uma nova crise na maior economia do mundo. Isso é o que afirma o Credit Suisse, um dos principais bancos dos Estados Unidos, em relatório divulgado a clientes nesta terça-feira, 17.

O Credit Suisse classificou a chance de uma recessão nos Estados Unidos como “muito alta” para o segundo semestre de 2023 e para a Europa neste ano. O relatório vai de encontro com as crescentes preocupações dos maiores bancos de investimentos do mundo.

O risco de recessão e seus potenciais impactos no lucro das empresas é o primeiro motivo para estarem mais cautelosos quanto ao mercado de ações. Aperto monetário, guerra da Ucrânia e restrições à pandemia na China são fatores que pressionam a atividade econômica dos Estados Unidos e do mundo. Mas um fator em especial chamou a atenção do Credit Suisse: os preços de commodities.

“Se olharmos para os preços agregados das commodities, eles estão em níveis que normalmente precedem uma recessão. O problema não tem sido apenas o petróleo, mas o gás e, em particular, os alimentos (onde os preços devem subir mais 10% a 20%)”, disseram em relatório.

A situação torna-se ainda mais complexa considerando as economias da Rússia e Ucrânia, grandes fornecedoras de commodities, para as quais o banco prevê respectivas quedas de 20% e mais de 30% do PIB neste ano.

Nem mesmo a China, pressionada pela política de zero-Covid, deverá salvar a economia mundial, segundo o Credit Suisse. “Essa abordagem é tanto um choque de demanda quanto de oferta para o crescimento global.”

As políticas de estímulos tampouco deverão ajudar, com os principais países em busca de conter a inflação que já está em patamares históricos.

“O crescimento salarial dos Estados Unidos, as expectativas de inflação do consumidor e do mercado significam que o Fed não pode responder alterando a política monetária até que qualquer uma dessas questões tenha mudado significativamente.”

Juro em alta, ações em queda

A chave para controlar a inflação americana, afirmaram, está em frear o aumento salarial no país. Para isso, o Credit Suisse calcula que o Fed terá que subir os juros, atualmente no intervalo de 0,75% e 1%, para 3,5% ou 4%. O banco acredita que o patamar de juros deve levar a uma chance alta de que a economia americana entrar em recessão em 2023.

O Credit Suisse reforçou que a piora das perspectivas econômicas têm alterado as expectativas de lucros das empresas e, consequentemente, afetado as negociações na bolsa. “Há uma relação muito estreita entre as revisões de lucros e o desempenho das ações.”

Lucro e margem menores

De acordo com o Credit Suisse, “as revisões de lucro devem ficar muito piores”. Essas revisões, disseram, ainda poderão provocar novas perdas, de aproximadamente 25% a 30% nas ações globais.

A margem das empresas, que está próxima do maior nível da história, também está sob risco, afirmaram os estrategistas do banco. “Os impulsionadores de margem na última década foram as taxas de juros e os impostos. A carga tributária provavelmente aumentará e a carga de juros também.”

Os estrategistas do Credit Suisse enxergam que no pior cenário o S&P 500 poderá cair para 3.350, implicando em uma queda de 18% em relação ao nível atual.

No melhor cenário, os estrategistas projetam potencial de alta de 20%, com o S&P 500 indo a 4.900 pontos. Mas para isso acontecer a melhora da dinâmica da inflação, disseram, será a peça central.

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