Copom se arrisca a ter reunião 'às cegas' com menos dados do mercado

Greve de servidores em busca de correção de atrasa a publicação de dados sobre crédito e expectativas do mercado; BC diz que Copom não será afetado
Sede do Banco Central em Brasília: servidores pedem aumento salarial de até 26% para compensar perdas com a inflação acumulada (Adriano Machado/Reuters)
Sede do Banco Central em Brasília: servidores pedem aumento salarial de até 26% para compensar perdas com a inflação acumulada (Adriano Machado/Reuters)
Por BloombergPublicado em 19/04/2022 16:11 | Última atualização em 19/04/2022 16:12Tempo de Leitura: 2 min de leitura

Os dirigentes do Banco Central vão para sua próxima reunião de política monetária, nos dias 3 e 4 de maio, sem informações atualizadas sobre o mercado de crédito, bem como as posições fiscais e externas do país, segundo funcionários da instituição em greve, que suspenderam a publicação de dados econômicos desde o fim de março.

Sem essas estatísticas, as atividades preparatórias do Comitê de Política Monetária, o Copom, “estão afetadas”, disseram os sindicatos que representam os trabalhadores do banco em comunicado na noite de segunda-feira, dia 18.

O Banco Central disse que seus dirigentes continuam com acesso a expectativas atualizadas do mercado sobre inflação, crescimento e taxas de juros que são críticas para as decisões de política monetária, mesmo que a pesquisa semanal Focus com economistas não tenha sido publicada há três semanas. O BC não esclareceu se eles também têm acesso a outros relatórios.

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“A realização da reunião do Copom não será afetada pela greve”, disse um porta-voz do banco. “A produção das apresentações de conjuntura para o Copom é uma atividade essencial e, portanto, será realizada durante a paralisação.”

Funcionários do Banco Central e do Ministério da Economia, incluindo a Receita Federal, estão realizando greves e paralisações pela terceira semana consecutiva, enquanto revindicam salários mais altos para compensar anos de inflação que vêm corroendo seu poder de compra. Os preços no Brasil estão subindo mais de 11% ao ano, seu ritmo mais rápido em duas décadas.

Os funcionários do Banco Central pedem um aumento salarial de até 26% para compensar a inflação desde 2019, juntamente com uma reestruturação de suas carreiras.

Durante uma reunião com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, na segunda-feira, eles receberam uma proposta de aumento salarial de 5%, que será discutida em assembleia nesta terça-feira, dia 19, disse o sindicato.