Invest

Copa do Mundo: destaque do balanço de Ambev deve ser cerveja no Brasil, diz BBA

Analistas destacam volume de cervejas no Brasil e alertam para expectativas elevadas e incerteza em mercados internacionais

BBA: 'As expectativas para o trimestre estão elevadas, especialmente pelo efeito da Copa, mas a visibilidade sobre o consumo real permanece limitada' (Ambev/Divulgação)

BBA: 'As expectativas para o trimestre estão elevadas, especialmente pelo efeito da Copa, mas a visibilidade sobre o consumo real permanece limitada' (Ambev/Divulgação)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 7 de julho de 2026 às 11h24.

A Ambev se prepara para divulgar seus resultados do segundo trimestre de 2026 em meio a uma janela atípica, em que o impacto da Copa do Mundo sobre o consumo deve ser decisivo para calibrar as expectativas do ano.

Segundo projeções do Itaú BBA, a companhia deve reportar Ebitda consolidado de R$ 6,5 bilhões, alinhado com o consenso do mercado. O destaque deve ficar para o segmento de cervejas no Brasil, que deve registrar crescimento de 8% no volume anual, impulsionado pela competição internacional, consumo relacionado ao torneio e uma base de comparação favorável.

Apesar das perspectivas positivas, os analistas do Itaú BBA destacam que o mercado já precificou uma performance sólida. “As expectativas para o trimestre estão elevadas, especialmente pelo efeito da Copa, mas a visibilidade sobre o consumo real permanece limitada”, avalia o relatório.

A companhia, que historicamente supera a indústria, precisa demonstrar que o desempenho atual reflete ganhos estruturais e não apenas efeitos temporários de eventos pontuais ou ajustes de gestão.

No segmento de bebidas não alcoólicas (NAB) e nos mercados internacionais, as tendências permanecem mais desafiadoras.

Na América Latina, o consumo sofre com inflação persistente e tensões sociais, enquanto na América do Norte e Canadá os volumes devem permanecer pressionados, mesmo com algumas partidas da Copa. No acumulado, espera-se crescimento modesto de 5% na receita líquida de NAB, com expansão de 330 pontos-base na margem EBITDA em relação ao ano anterior, principalmente devido à redução de custos de produção e ajustes na operação.

O Itaú BBA destaca que, embora os preços da Ambev tenham se valorizado e as ações tenham subido cerca de 35% desde o final de 2025, o valuation atual — próximo a 16 vezes o P/E 2026 — exige atenção.

“O rally nos preços reflete otimismo quanto à dinâmica competitiva frente à Heineken e à expectativa de impulso da Copa do Mundo, mas ainda há baixa visibilidade sobre a sustentabilidade desse momentum no segundo semestre”, alertam os analistas.

O relatório conclui que, apesar da perspectiva favorável de curto prazo, os investidores podem preferir manter cautela diante de múltiplos exigentes e incertezas sobre a continuidade do crescimento após o trimestre do torneio.

Acompanhe tudo sobre:AmbevCopa do Mundo

Mais de Invest

Executivos vendem ações dos EUA em ritmo maior que na Crise de 2008

Petrobras segura Ibovespa na estabilidade, mas índice cai 2,33% na semana; dólar sobe

Ibovespa opera com pressão de Vale e bancos; Petrobras sobe

Posts de Trump podem virar serviço pago para bancos e traders