Invest

Copa, cerveja premium e 'wellness' fazem Ambev lucrar R$ 3,4 bi no 2º trimestre

Marcas de maior valor compensam estabilidade de volumes consolidados e lucro avança mais de 20%

Ambev: fabricante de bebidas divulgou resultados do 2º tri (Jack Andersen/Getty Images)

Ambev: fabricante de bebidas divulgou resultados do 2º tri (Jack Andersen/Getty Images)

Mitchel Diniz
Mitchel Diniz

Editor de Invest

Publicado em 30 de julho de 2026 às 06h16.

Última atualização em 30 de julho de 2026 às 06h29.

Priorizar nos meus resultados Google

A Ambev (ABEV3) registrou lucro líquido de R$ 3,475 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 24,5% ante o mesmo período do ano anterior. Em bases ajustadas, que excluem itens não recorrentes, o lucro foi de R$ 3,493 bilhões, avanço de 23,3%. A margem líquida ajustada ficou em torno de 17,3% da receita, contra cerca de 14,1% um ano antes.

A receita líquida totalizou R$ 20,149 bilhões, alta de 0,3% no número reportado e de 6,1% quando se descontam os efeitos do câmbio e de compras e vendas de ativos. O descolamento entre as duas bases reflete a desvalorização das moedas das operações internacionais frente ao real na conversão dos resultados.

O Ebitda ajustado somou R$ 6,377 bilhões, com margem de 31,6%, uma expansão de 100 pontos-base na comparação anual. O indicador cresceu 3,6% no número reportado e 8,9% descontados câmbio e ativos.

O volume global de bebidas somou 39,7 milhões de hectolitros, praticamente estável em relação ao ano passado, com crescimento reportado de 0,4%. A receita por hectolitro (indicador de preço médio) subiu 4,6% descontados os efeitos, crescendo mais do que o volume, o que indica que o crescimento da receita veio de preço e mix mais premium do que de mais litros vendidos.

Brasil e o efeito Copa do Mundo

O Brasil teve alta de 7,5% na receita líquida e de 13,0% no Ebitda ajustado, descontados os efeitos de câmbio e ativos. O país foi o motor do trimestre e já responde por cerca de 61% do Ebitda ajustado da companhia. A operação de cerveja no país teve alta de 5% no volume, superando a indústria, aponta a Ambev. O desempenho foi impulsionado pelo portfólio premium e pela demanda extra gerada pela Copa do Mundo, apesar de condições climáticas adversas. A receita líquida de Cerveja Brasil cresceu 8,9% e o Ebitda ajustado avançou 12,8%, com margem de 33,5%.

As ativações de marketing ligadas à Copa, por outro lado, geraram uma pressão de custos. As despesas comerciais e administrativas da operação de cerveja subiram 10,8%, refletindo os gastos com o torneio e maior distribuição.

Premium e Wellness

A companhia atribui o ganho de preço médio à gestão de receita e ao mix de produtos mais premium. O portfólio "Wellness", que inclui cervejas sem álcool, com menos calorias, sem glúten ou voltadas a um consumo mais equilibrado, cresceu mais de 60% ante o mesmo trimestre do ano anterior.

Dentro desse grupo, os destaques foram a Stella Pure Gold, sem glúten, com alta de mais de 180%, e as cervejas zero álcool, que subiram 30%, puxadas por Corona Cero, Budweiser Zero, Brahma 0,0% e Skol Zero Zero.

A Michelob Ultra, com 80% menos carboidratos, mais que triplicou de volume no período e foi apresentada a mais de 250 mil consumidores só no Brasil via Zé Delivery, o aplicativo de entregas da Ambev. O portfólio Wellness já responde por cerca de 7% dos volumes de cerveja vendidos por lá.

O desempenho brasileiro repete o padrão visto em trimestres anteriores, em que a cerveja premium tem compensado a queda na venda das marcas populares.

Já a divisão de bebidas não alcoólicas no Brasil (refrigerantes, sucos e energéticos) teve queda de 4,4% no volume, em parte por decisão da própria empresa de descontinuar os volumes em canais de vendas de baixo retorno. Mesmo assim, a rentabilidade da divisão melhorou: a margem bruta saltou 540 pontos-base, ajudada por custos menores de açúcar e da resina plástica das garrafas. O Ebitda ajustado subiu 13,8%.

Operações fora do Brasil

No exterior, o quadro foi mais desafiador, sobretudo ao levar em conta os efeitos cambiais. A América Central e Caribe (CAC) teve crescimento de volume de 5,4% e alta de 7,1% na receita descontados os efeitos, beneficiada pela Copa do Mundo no Panamá e por um consumo aquecido na República Dominicana. Mas houve retração de margem, e o Ebitda ajustado caiu 15,1% em números reportados, afetado pelo câmbio e pela saída de subsidiárias do balanço.

A América Latina Sul (Argentina, Bolívia e países vizinhos) teve queda de 2,9% no volume, impactada por conflitos sociais e bloqueios de estradas na Bolívia em maio e junho. A receita cresceu 4,4% e o Ebitda ajustado subiu 2,6% descontados os efeitos, sustentados pela Argentina, onde a companhia afirma ter ganhado participação de mercado.

O Canadá teve recuo de 1,8% no volume, diante de clima adverso e consumo mais fraco, mas ainda assim superou uma indústria enfraquecida, com alta de 2,1% na receita e de 2,9% no Ebitda ajustado descontados os efeitos.

Caixa, custos e despesas

O fluxo de caixa das atividades operacionais somou R$ 4,711 bilhões, com alta de 54,5% ante o ano anterior, refletindo o maior Ebitda e uma melhor dinâmica de capital de giro. A companhia segue em posição de caixa líquido, com R$ 15,4 bilhões a mais em caixa do que em dívida.

Do lado dos custos, a pressão veio principalmente do câmbio e das commodities. Em Cerveja Brasil, o custo por hectolitro subiu 4,5% descontados os efeitos, e a companhia manteve a projeção de alta de 4,5% a 7,5% nesse custo ao longo de 2026 — repetindo o alerta de pressão de custos que já vinha sinalizando em trimestres anteriores.

As despesas comerciais e administrativas consolidadas cresceram 10,7% descontados os efeitos, puxadas pelo marketing da Copa do Mundo.

Acompanhe tudo sobre:AmbevCervejasBebidasBalanços

Mais de Invest

Quanto o prêmio de R$ 1 milhão da primeira edição de A Fazenda valeria hoje?

Ibovespa hoje: Petrobras cai e ações de varejo sobem em plena Super Quarta

'Guilhotina' do BBA corta Nubank e só Bradesco escapa com recomendação positiva

Ações movimentam mais de R$ 30 bi por dia na B3 com corrida eleitoral