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Como as reações do mercado podem ditar os rumos do conflito no Irã

Relatório indica que o custo econômico da escalada pode aumentar a pressão por um acordo nas próximas semanas

The Kobeissi Letter: trajetória da guerra pode ser tão influenciada pelos gráficos quanto é pelas armas (TIMOTHY A. CLARY/AFP/Getty Images)

The Kobeissi Letter: trajetória da guerra pode ser tão influenciada pelos gráficos quanto é pelas armas (TIMOTHY A. CLARY/AFP/Getty Images)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 4 de março de 2026 às 05h30.

A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã não está sendo monitorada apenas por analistas militares e diplomatas. Em paralelo, operadores em Wall Street acompanham cada manchete como se fosse um indicador econômico. E para parte do mercado, a trajetória da guerra pode ser tão influenciada pelos gráficos quanto é pelas armas.

Essa é a leitura do The Kobeissi Letter, newsletter global de análise financeira fundada por Adam Kobeissi, ex-banqueiro de investimentos formado pela Michigan Ross. A publicação defende que, nos conflitos recentes envolvendo o presidente Donald Trump, o mercado deixou de ser apenas termômetro da crise para se tornar parte ativa do processo de pressão política.

Um padrão por trás das crises

Segundo a análise, os embates recentes seguiram um roteiro relativamente previsível.

Primeiro vêm as declarações duras e ameaças públicas. Em seguida, movimentos estratégicos — militares ou econômicos — reforçam o tom. Quando a tensão atinge o ápice, uma ação mais concreta é anunciada, muitas vezes fora do horário de pregão, o que limita reações imediatas.

A partir daí, o mercado entra em cena: petróleo dispara, bolsas caem e investidores correm para ativos considerados mais seguros. Esse movimento amplia o chamado “prêmio de risco” — o custo adicional que o mercado exige para manter posições em meio à incerteza.

É nesse ponto, argumenta a carta, que começa a mudar o cálculo político.

Petróleo, inflação e custo eleitoral

A alta do petróleo é o principal canal de transmissão entre guerra e economia. Caso os preços avancem de forma sustentada — especialmente diante de riscos envolvendo o estreito de Ormuz — o impacto tende a ir além das empresas de energia.

Combustíveis mais caros pressionam a inflação, reduzem o poder de compra e afetam a confiança do consumidor. Em um ano eleitoral, o efeito pode ser ainda mais sensível.

Para o Kobeissi, quando bolsas acumulam perdas relevantes e o petróleo se aproxima de patamares críticos, aumenta a probabilidade de mudança de discurso e de abertura para negociação. O mercado, nesse contexto, funciona como um mecanismo indireto de pressão.

Um ciclo de retroalimentação

Com base em episódios anteriores de tensão comercial e geopolítica, a publicação descreve um ciclo de retroalimentação financeira:

  • a escalada militar eleva o prêmio de risco;
  • o petróleo sobe e as bolsas recuam;
  • a inflação projetada aumenta e o sentimento do consumidor piora;
  • cresce o custo político de manter o conflito;
  • sinais de desescalada começam a aparecer.

Três cenários no radar

Para as próximas semanas, o Kobeissi trabalha com três hipóteses principais:

O primeiro cenário prevê uma escalada breve, seguida por negociação e recuperação rápida dos mercados.

O segundo aponta para um conflito controlado, mas mais prolongado, mantendo volatilidade elevada em ações e commodities.

O terceiro — considerado menos provável — envolve ampliação regional da crise, com petróleo em três dígitos e correção mais profunda nas bolsas globais.

Mercado como bússola geopolítica

Para o The Kobeissi Letter, está claro: o comportamento dos investidores pode ajudar a antecipar os próximos passos do conflito.

Movimentos extremos — como disparadas persistentes do petróleo ou quedas acentuadas nos índices acionários — tendem a aumentar a pressão por uma solução negociada. Já sinais de estabilização podem indicar que o mercado voltou a acreditar em desfecho diplomático.

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