Guerra: captura de um navio iraniano pela Marinha dos EUA no domingo foi o estopim para Teerã abandonar a mesa de negociações. (Mininyx Doodle/Getty Images)
Repórter de Invest
Publicado em 20 de abril de 2026 às 09h19.
O cenário otimista que havia animado os mercados nos últimos dias — com a rota petrolífera do Estreito de Ormuz reaberta momentaneamente pelo Irã e um cessar-fogo temporário com os Estados Unidos (EUA) — mudou radicalmente de sentido neste início de semana.
Os países voltaram a trocar duras ameaças após o presidente Donald Trump ter dito no domingo, 19, que os EUA apreenderam um navio porta-contêineres no Golfo de Omã. O Irã, por sua vez, acusa os estadunidenses de quebrarem o cessar-fogo.Teerã já anunciou retaliações e disse que não há "nenhum plano para uma segunda rodada de negociações com os EUA por ora", segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, em fala divulgada pela Reuters.
Os países estavam em um cessar-fogo de duas semanas, mediado pelo Paquistão e firmado em 8 de abril, o qual expira oficialmente nesta terça-feira, 21.
Hoje os futuros do Dow Jones recuaram 282 pontos, ou 0,6%, enquanto os contratos futuros do S&P 500 e do Nasdaq cederam 0,5% cada, antes mesmo da abertura do pregão em Nova York.
Na semana passada, o S&P 500 havia avançado 4,5% e o Nasdaq Composite, 7,2%, registrando sua 13ª sessão consecutiva de alta na sexta-feira, 17, algo que não era visto desde 1992, de acordo com informações divulgadas pela CNBC.
Já as cotações dos contratos futuros do petróleo vêm subindo. Tanto o petróleo do tipo Brent para junho quanto o West Texas Intermediate (WTI) para maio avançavam 6% nesta segunda-feira.
Um contraste claro em relação à última sexta-feira, quando o Irã disse que Ormuz estava "completamente aberto" ao tráfego comercial, derrubando os preços do petróleo em mais de 10% na ocasião.
O Estreito de Ormuz, por onde passa normalmente cerca de um quinto de toda a oferta global de petróleo, estava praticamente fechado pelo Irã há quase dois meses, elevando o preço da energia pelo mundo.
Analistas ouvidos pela CNBC estimam que as interrupções no fornecimento somam cerca de 13 milhões de barris por dia entre petróleo bruto, condensados e gás natural liquefeito (GNL).
Para tentar conter o agravamento do quadro, EUA e Teerã tinham firmado um cessar-fogo temporário, antes das autoridades iranianas acusarem Washington de ter "violado o cessar-fogo desde o início de sua implementação."
A justificativa seria justamente o bloqueio naval estadunidense a navios iranianos em Ormuz imposto pelo presidente Donald Trump no dia 13 de abril. O episódio é mais um passo na sequência de volatilidade vista desde o início da guerra.
Os investidores estão recalculando a rota mais uma vez, e especialistas alertam que, mesmo que um acordo seja firmado em breve, os efeitos devem persistir por meses, especialmente no petróleo.
Exatamente o cenário que o estrategista-chefe do Carson Group, Ryan Detrick, havia declarado ao Business Insider como "superado" dias atrás: "os pessimistas erraram o alvo", disse no início do fim de semana.
Ele havia reforçado que o "mercado de ações tem uma capacidade incrível de se adaptar a qualquer situação", e estava otimista que uma boa temporada de balanços poderia, ainda, ajudar os mercados em breve.