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Como a dona do Ozempic quer usar o ChatGPT na corrida contra o Mounjaro

Parceria da Nova Nordisk com a OpenAI integra estratégia para recuperar espaço no mercado de obesidade; ações da companhia dinamarquesa subiram cerca de 2,8% nas primeiras negociações do dia

Ozempic: Nova Nordisk aposta em IA na corrida contra obesidade. (JDawnInk/Getty Images)

Ozempic: Nova Nordisk aposta em IA na corrida contra obesidade. (JDawnInk/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 14 de abril de 2026 às 08h10.

Última atualização em 14 de abril de 2026 às 08h39.

A aposta da Novo Nordisk em inteligência artificial (IA) ganhou um novo capítulo nesta terça-feira, 14, em meio à disputa acirrada com a Eli Lilly pelo mercado global de medicamentos para obesidade.

A farmacêutica dinamarquesa anunciou uma parceria com a OpenAI para acelerar a descoberta de novos tratamentos. Ela já é responsável pelos remédios para emagrecimento Ozempic e Wegovy.

O movimento foi bem recebido pelo mercado e levou as ações da companhia a subirem cerca de 2,8% nas primeiras negociações do dia, segundo dados compilados pela CNBC.

Além da negociação com a OpenAI, do bilionário Elon Musk, a Novo já investe em IA em colaboração com a Nvidia, incluindo o uso do supercomputador Gefion para desenvolver modelos próprios voltados à pesquisa.

IA na estratégia

O acordo insere a IA no centro da estratégia da Novo Nordisk para recuperar terreno em um segmento considerado um dos mais lucrativos da indústria farmacêutica, caso da Eli Lilly, fabricante do Mounjaro.

A companhia perdeu parte da vantagem inicial na corrida por tratamentos para o emagrecimento e tem buscado reforçar seu pipeline com novos produtos, de acordo com fontes consultadas pela CNBC.

Um exemplo disso é a versão em comprimido do Wegovy, lançada em janeiro, além de medicamentos de próxima geração que ainda estão em desenvolvimento.

A parceria com a OpenAI deve permitir à empresa ampliar a capacidade de análise de dados em larga escala, com foco na identificação de moléculas promissoras e na antecipação de resultados ainda nas fases iniciais de pesquisa.

O CEO da OpenAI, Sam Altman, ressaltou o potencial mais amplo da tecnologia, afirmando que a IA tende a transformar diferentes setores e pode contribuir para avanços relevantes na área da saúde.

"A inteligência artificial está remodelando diversos setores e, nas ciências da vida, pode ajudar as pessoas a viverem vidas melhores e mais longas."Sam Altman, CEO da OpenAI

Já o presidente-executivo da Novo Nordisk, Mike Doustdar, afirmou que a adoção da IA possibilita acessar conjuntos de dados em uma escala antes impossível, além de identificar padrões não vistos e testar rapidamente hipóteses.

Ganhos imediatos?

A indústria farmacêutica tem direcionado investimentos crescentes em IA como forma de reduzir custos e encurtar prazos em um processo historicamente longo.

O desenvolvimento de um medicamento pode levar mais de uma década e consumir bilhões de dólares, o que amplia o potencial de ganho com soluções que aumentem a eficiência.

Em entrevista ao canal, o sócio da Arthur D. Little, Ben van der Schaaf, explicou que a tecnologia ainda não é aplicada de forma integrada em todo o processo.

Ele indicou que áreas como recrutamento de pacientes e definição de centros de testes clínicos tendem a se beneficiar primeiro, reduzindo custos e prazos em atividades consideradas gargalos do setor.

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