Sem o norte de Nova York, bolsas europeias fecham em alta sob liquidez reduzida (Arne Dedert/picture alliance/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 3 de julho de 2026 às 14h31.
O feriado antecipado do Dia da Independência nos Estados Unidos deixou os mercados globais operando sob liquidez reduzida nesta sexta-feira (3). A ausência do norte das bolsas de Nova York favoreceu a volatilidade, mas as praças europeias fecharam em terreno positivo, com o índice europeu Stoxx 600 renovando sua máxima histórica de fechamento.
O Stoxx 600 avançou 0,69%, aos 652,84 pontos. Em Londres, o FTSE 100 subiu 0,25% (aos 10.679,03 pontos); em Frankfurt, o DAX valorizou 0,78% (aos 25.779,31 pontos); e, em Paris, o CAC 40 ganhou 0,39% (fechando a 8.508,07 pontos). No acumulado da semana, as bolsas registraram altas de 2,68%, 1,57%, 4,57% e 1,56%, respectivamente.
O rali semanal das ações europeias foi sustentado por uma combinação de fatores corporativos e macroeconômicos:
Fatores corporativos e defesa: A gigante industrial alemã Siemens subiu 2,60% após a Kepler Cheuvreux elevar sua recomendação para "compra", impulsionando o DAX. O setor de defesa do Stoxx 600 avançou 0,63%, repercutindo os ataques russos à Ucrânia e a perspectiva de maiores gastos militares na região.
Apoio macroeconômico: O recuo nos preços do petróleo e o relatório de empregos (payroll) mais fraco do que o esperado nos EUA alimentaram o otimismo. O dado de emprego esvaziou as apostas em novas altas de juros pelo Federal Reserve (Fed).
Em nota, Mohit Kumar, economista-chefe do Jefferies para a Europa, apontou que a economia americana segue resiliente, mas os números não justificam novos apertos pelo Fed. Diante disso, o banco observa uma rotação de investimentos para fora de empresas de tecnologia, favorecendo setores cíclicos (industrial, bancário e financeiro), commodities e ativos na Ásia.
No mercado de câmbio, o dólar e o petróleo rondaram a estabilidade, enquanto o ouro se destacou. Por volta das 13h (de Brasília), o índice DXY operava em leve baixa de 0,02%, aos 100,838 pontos. O euro subia 0,12% (a US$ 1,14358) e a libra avançava 0,10% (a US$ 1,33509).
A baixa liquidez devido ao feriado americano acendeu o alerta para o risco de uma intervenção cambial por parte do Banco do Japão (BOJ). Com o dólar cotado a 161,328 ienes, Francesco Pesole, estrategista do ING, e Mohit Kumar, do Jefferies, destacam que o mercado está vulnerável. Para Kumar, se a moeda americana atingir 162 ienes, uma intervenção se torna provável, dado que a política fiscal expansionista e os juros já precificados no Japão não favorecem a recuperação do iene por vias orgânicas.
Nas commodities, o petróleo Brent para setembro subiu 0,35%, a US$ 72,08 por barril na ICE, em meio às negociações de cessar-fogo entre EUA e Irã. O WTI para agosto avançou 0,09%, a US$ 68,75 por barril. Já os contratos futuros do ouro para agosto saltaram 1,33%, cotados a US$ 4.180,7 por onça-troy na Comex, impulsionados pela perspectiva de juros globais mais baixos.
Apesar do otimismo acionário, a economia real europeia trouxe dados desafiadores em junho. O Índice de Gerentes de Compras (PMI) composto da Zona do Euro, apurado pela S&P Global e HCOB, estacionou na marca neutra de 50 pontos, embora com alívio na inflação.
Nas principais potências locais, os indicadores mostraram contração da atividade (abaixo de 50 pontos): o PMI de serviços da Alemanha subiu para 48,6 pontos e o da França avançou para 46,8 pontos. Fora da zona do euro, o PMI composto do Reino Unido recuou para 48,8 pontos, registrando seu pior nível desde 2023.