Setor de cerveja está mais forte e Ambev (ABEV3) pode se beneficiar, diz BTG Pactual (BPAC11)

A indústria da cerveja registrou alta na produção de maio, na comparação com abril, segundo os dados do IBGE
 (Susan Ellwood / EyeEm/Getty Images)
(Susan Ellwood / EyeEm/Getty Images)
Carlo Cauti
Carlo Cauti

Publicado em 05/07/2022 às 13:13.

Última atualização em 05/07/2022 às 14:24.

A indústria da cerveja está demonstrando uma resiliência que poderia impactar positivamente um dos principais operadores do setor, a Ambev (ABEV3).

Em um relatório divulgado nesta terça-feira, 5, pelo BTG Pactual (BPAC11), os analistas do banco indicam como a expectativa no setor de cerveja é de um ganho acumulado no trimestre de 5% na comparação anual, acima das previsões iniciais de volumes estáveis ​​no segundo trimestre para o gigante das bebidas e para toda a indústria.

O Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) divulgou nesta manhã os dados mensais da produção industrial de cerveja indicando como o índice de produção foi de 104,2 em comparação com 99,8 registrados em abril (uma alta de 4,4% na comparação mensal) e ante um resultado de 106 registrado em maio de 2021 (queda de apenas 1,7% na comparação anual).

"Desde o início do ano [com exceção de janeiro, quando os volumes foram duramente atingidos pela variante ômicron], o desempenho geral da indústria de cerveja surpreendeu positivamente", indica o relatório do maior banco de investimentos da América Latina.

Um resultado que estaria alinhado com outros indicadores macroeconômicos e com o crescimento do produto interno bruto (PIB) e queda na taxa de desemprego.

Um contexto positivo que está se delineando apesar da inflação de alimentos que vem corroendo a renda disponível global.

Com as expectativas de aumento de preços durante o terceiro trimestre, os analistas do BTG Pactual aguardam um resultado "relativamente sólido" em junho, à medida que o setor acumula estoques.

A inflação de cerveja para os consumidores permanece baixa em relação ao índice geral de preços, com uma alta de 8,1% para cerveja no segundo trimestre deste ano ante um aumento de 12% no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Isso significaria que o aumento dos volumes de consumo poderia ser oriundo de uma melhor acessibilidade por parte da população.

"Uma demanda mais forte pode significar que o setor [liderado pela Ambev, talvez] possa ter uma temporada de preços mais forte neste ano", escreveram os analistas Thiago Duarte e Henrique Brustolin.

BTG Pactual (BPAC11) reiterou a recomendação neutra para a Ambev (ABEV3)

Em seu último relatório sobre a empresa, o BTG Pactual reiterou sua visão neutra em relação as ações da Ambev, que mantém há vários anos.

A visão do BTG Pactual é que as margens da Ambev poderiam estar sob pressão, uma vez que a mudança dos canais de consumo de cerveja e das embalagens no Brasil pode prejudicar a capacidade da empresa de sustentar o valor da marca, traduzindo-se em alguma redução do poder de precificação.

O potencial de valorização das ações foi interrompido nos últimos anos por contínuas revisões negativas dos lucros

Além disso, existe uma correlação importante entre os resultados da empresa e as taxas de juro.

O desempenho dos preços das ações no setor de bebidas manteve uma forte correlação histórica com as taxas de juro.

"À medida que o combate à inflação volta a ser uma prioridade global, acreditamos que taxas mais altas podem se traduzir em múltiplos mais baixos, afetando também a Ambev. Acreditamos que esse processo já começou", explicaram os analistas do BTG Pactual.