BTG vê expansão de investment banking mesmo em cenário incerto

Número maior de empresas com acesso ao mercado de capitais deve impulsionar fusões, aquisições e emissão de dívida, segundo CFO do banco de investimento
Sede do BTG Pactual em São Paulo | Foto: Leandro Fonseca/Exame (Leandro Fonseca/Exame)
Sede do BTG Pactual em São Paulo | Foto: Leandro Fonseca/Exame (Leandro Fonseca/Exame)
Por Guilherme GuilhermePublicado em 09/11/2021 18:32 | Última atualização em 09/11/2021 18:32Tempo de Leitura: 4 min de leitura

Embora o cenário econômico e o mercado com mais incertezas e volatilidade tenha levado empresas a adiar seus planos de abrir o capital na bolsa por meio de IPOs, o BTG Pactual (BPAC11) não enxerga grandes riscos para a atividade de Investment Banking, frente de negócios que abrange assessoria para fusões e aquisições (M&A), emissão de ações (ECM) e dívidas (DCM). A área é a segunda principal fonte de receita do banco, somente atrás de Sales & Trading.

"Deve ter mais negócios [em investment banking em 2022], porque o que dita esse volume é a quantidade de companhias brasileiras que conseguem acessar o mercado  de capitais", afirmou João Dantas, CFO do BTG Pactual, em teleconferência com a imprensa nesta terça-feira, dia 9, após a divulgação do resultado do terceiro trimestre.

"Todos esses novos entrantes passaram a ser players que conseguem participar do mercado não só no IPO mas no dia-a-dia, emitindo títulos e ações", afirmou.

No terceiro trimestre, já com o efeito dos adiamentos das ofertas públicas iniciais (IPOs, na sigla em inglês), a divisão de Investment Banking cresceu 81%, encerrando o período com receitas de 727 milhões de reais e 78 negócios, contra 56 no mesmo período do ano passado.

Um dos principais destaques foi em M&A, em que os volumes transacionados atingiram 10,631 bilhões de dólares, superando os 8,303 bilhões de dólares dos nove primeiros meses de 2020. Em DCM, os números de negócios cresceram de 19 para 40 na comparação anual, batendo 2,037 bilhões de dólares de volume transacionado, o maior do ano.

"As empresas vão precisar fazer aquisições para racionalizar o custo, melhorar a eficiência da operação e aproveitar as oportunidades de ganho de market share e, para isso, vão ter acessar o mercado de dívida", disse Dantas.

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O CFO do BTG também traçou um paralelo do quadro atual com o início dos anos 2010.

"Em 2007, houve um boom de abertura de capital. Mas, a partir de 2009, o Brasil começou a viver um ciclo muito ruim, que perpetuou-se até 2012, com queda do PIB, inflação e aumento de taxa de juros. Porém, durante esses anos, o mercado financeiro brasileiro gerou melhores níveis de receita que em 2008, quando ainda estávamos surfando a onda positiva", comentou.

"O mercado em 2022 pode experimentar o mesmo efeito pós-2007. Não tivemos um boom tão grande em 2020-2021, mas teve muitas companhia chegando ao mercado de capitais."

João Dantas também citou o maior protagonismo do BTG no mercado de emissões de dívidas.

"Não éramos grandes em volume no DCM [sigla em inglês para Debt Capital Markets], porque tipicamente [as operações] eram concedidas para quem usa o balanço e empresta mais às empresas. Como o nosso negócio como assessor no mercado de dívida amadureceu bastante, temos ganhado muito market share. Hoje, somos o primeiro em emissão de dívidas de empresas brasileiras em moeda internacional e o terceiro em dívidas em reais."

Por outro lado, dada a maior instabilidade do mercado local, Dantas disse não esperar crescimento de receita na frente de ações. "Provavelmente vamos ter menos apetite de investidores para capital permanente nas companhias."

No terceiro trimestre, o BTG participou de 19 operações de emissão de ações, quantidade idêntica à registrada no mesmo período do ano passado, mas com volume transacionado 23,56% maior, de 1,327 bilhão de dólares.

Os números foram ligeiramente inferiores aos do trimestre anterior, quando foram registradas 20 transações em ECM, com volume de 1.497 bilhão de dólares.