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BTG troca Raia por Motiva e reduz Nubank nas recomendações de março

Troca ocorre em meio a fluxo estrangeiro forte e tensão no Irã, que mantém exposição a petróleo e ouro na carteira

Carteira recomendada pelo BTG: a principal novidade de março é a entrada da Motiva, negociada a uma TIR real estimada em 11%

Carteira recomendada pelo BTG: a principal novidade de março é a entrada da Motiva, negociada a uma TIR real estimada em 11%

Publicado em 2 de março de 2026 às 17h15.

O BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) realizou novos ajustes na carteira de ações recomendada, a 10SIM, para março de 2026, após mais um mês de forte entrada de capital estrangeiro e valorização expressiva da bolsa brasileira.

De acordo com o documento, divulgado nesta segunda-feira, 2, a principal mudança foi a entrada da Motiva (MOTV3) no lugar da Raia (RADL3), além de uma redução tática na exposição ao Nubank (ROXO34) e um aumento de peso na Axia Energia, a ex-Eletrobras (AXIA3).

O pano de fundo das mudanças, segundo o banco, ainda é um mercado sustentado pelo fluxo estrangeiro. O Ibovespa avançou 4,1% em fevereiro, o que representa uma alta de 6,5% em dólar, acumulando um crescimento de 17,2% no ano em reais e 25,1% em dólar.

Em fevereiro, os estrangeiros aportaram R$ 15,3 bilhões na bolsa brasileira, abaixo dos R$ 26,3 bilhões de janeiro, mas suficientes para manter os preços pressionados para cima. No acumulado de 2026, o fluxo positivo já soma R$ 41,6 bilhões.

Globalmente, os fundos de mercados emergentes receberam US$ 25,1 bilhões apenas em fevereiro e US$ 53,6 bilhões no ano — montante que já supera quase todo o fluxo anual registrado desde 2017. Se a rotação para fora dos Estados Unidos continuar, o Brasil tende a seguir como um dos beneficiários.

Com essa sequência de altas, os múltiplos voltaram para perto da média histórica. O Preço por Lucro (P/L) projetado de 12 meses do Ibovespa, excluindo Petrobras e Vale, está em 11,3 vezes, próximo da média de 11,9 vezes. Incluindo as duas gigantes, o múltiplo está em 10,1 vezes, ante média histórica de 10,5 vezes.

Nesse contexto, o BTG destacou em suas recomendações que reforça a busca por nomes ainda relativamente descontados e com catalisadores claros.

Conflito no Irã mantém petróleo e ouro na carteira

A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã levou o banco a manter inalterada a exposição a petróleo e ouro. Permanecem na carteira a Prio (PRIO3), com 10%, e a Aura (AURA33).

No caso da Prio, o banco destaca tanto o cenário de preços do petróleo, com risco de interrupções logísticas globais que podem sustentar cotações acima de US$ 70 por barril, quanto catalisadores específicos, como o primeiro óleo do campo de Wahoo e os resultados do quarto trimestre de 2025.

Já a Aura segue como a única forma "pura" de exposição ao ouro dentro do Ibovespa, segundo a instituição financeira. O BTG vê fundamentos estruturais favoráveis para o metal, além de crescimento de produção, dividendos consistentes (yield estimado entre 6% e 8%) e valuation ainda descontado, a 0,8 vez preço sobre NAV.

Motiva entra, Raia sai

A principal novidade de março é a entrada da Motiva, negociada a uma TIR real estimada em 11%. A empresa passou por um processo de racionalização do portfólio em 2025, com saída de ativos de menor desempenho e melhorias contratuais em concessões relevantes.

No relatório, o BTG disse ver "um pipeline robusto de novos projetos e potencial reciclagem de capital por meio da venda de participações minoritárias em ativos de mobilidade urbana". Com a inclusão da Motiva, a exposição a empresas de fluxo de caixa de alta qualidade e long duration sobe para 25% da carteira — considerando também os 15% alocados em Localiza.

Para abrir espaço, sai a Raia. Apesar de ainda ser vista como uma boa empresa e com gatilhos, como o avanço das vendas de tratamentos com GLP-1, o papel acumula forte desempenho e negocia a múltiplos considerados elevados — 28 vezes lucro estimado para 2026, segundo o banco.

Menos Nubank, mais Axia

Outra mudança relevante foi a redução da posição em Nubank, de 15% para 10%, após resultados abaixo do esperado no quarto trimestre de 2025.

Mesmo assim, o banco manteve a recomendação de compra, apontando que o papel é negociado a múltiplos atrativos, cerca de 18,5 vezes lucro estimado para 2026 e 14 vezes para 2027, com potencial de aceleração no Brasil, avanço no México e opcionalidade nos Estados Unidos.

O Itaú (ITUB4) permanece como top pick entre os grandes bancos, mesmo após alta de 20% no ano, negociado a 9,5 vezes lucro estimado para 2026. Com a redução no Nubank, a exposição total a bancos cai de 25% para 20%, complementada por 5% em Stone (STOC34), cuja tese inclui valuation atrativo e possível retorno de capital após a venda da Linx, de acordo com o BTG.

No setor de energia, a Axia Energia teve seu peso elevado de 10% para 15%, ampliando a exposição total a utilities de 20% para 25%. O banco vê a empresa como principal beneficiária do cenário de preços mais altos de energia e potencial forte pagadora de dividendos nos próximos anos, após pagamentos extraordinários anunciados em 2025.

A Eneva (ENEV3) também segue na carteira, com expectativa em torno do segundo Leilão de Capacidade, previsto para março, que "pode gerar valor relevante via recontratação e nova contratação de usinas térmicas", nas palavras do banco.

Consumo e 'proxy' de juros

No consumo, a Allos (ALOS3) permanece como posição defensiva. O BTG vê a operadora de shopping centers como um "proxy de título público", beneficiada por eventual queda de juros. A empresa anunciou guidance de dividendos para 2026 que implica um retorno de 11%, reforçando a mudança de estratégia de crescimento para geração de valor.

A Localiza (RENT3), com peso de 15%, segue como aposta em qualidade operacional. O banco avalia os resultados do quarto trimestre como de alta qualidade, com ganhos de eficiência e melhora na frota, além de potencial para revisões positivas de lucro em um cenário de flexibilização monetária e continuidade do fluxo estrangeiro.

Carteira 10SIM do BTG Pactual em março de 2026:

EmpresaTickerPeso (%)
NubankROXO3410%
LocalizaRENT315%
Itaú UnibancoITUB410%
Axia EnergiaAXIA315%
MotivaMOTV310%
PrioPRIO310%
AllosALOS310%
EnevaENEV310%
Aura MineralsAURA335%
StoneSTOC345%
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