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“Brasil tem oportunidade única em 2023, se criar condições certas”, afirma CEO do Itaú

Milton Maluhy diz que ainda é cedo para fazer prognóstico da situação fiscal no novo governo

Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú, defende alinhamento entre responsabilidade fiscal e social (Flora Pimentel/Divulgação)

Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú, defende alinhamento entre responsabilidade fiscal e social (Flora Pimentel/Divulgação)

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Beatriz Quesada

Publicado em 11 de novembro de 2022, 10h57.

Em um cenário global de inflação alta e juros subindo nas maiores economias do mundo, o Brasil pode despontar como protagonista. É o que avalia de Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú, o maior banco privado do País.

“Estamos diante de uma super oportunidade diante dos desafios que o mundo está experimentando. É uma oportunidade única para o Brasil, caso sejam criadas as condições certas”, afirmou.

A solução passa por uma agenda de reformas e da manutenção da responsabilidade fiscal, que está no centro das discussões do mercado financeiro nos últimos dias. Na véspera, a bolsa registrou sua maior baixa do ano em reação ao discurso do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva. O petista criticou as pressões por responsabilidade fiscal, dizendo que "os mesmo que discutem com seriedade o teto de gastos não discutem a questão social deste país". 

Maluhy diz que ainda é muito cedo para um prognóstico da questão fiscal futura, mas reforça que o banco está atento a movimentações que tornem o cenário mais claro. O CEO do Itaú avalia, no entanto, que responsabilidade social e fiscal devem ser dois lados da mesma moeda para que o Brasil volte a ter uma posição de destaque internacional.

“Responsabilidade social e fiscal não são excludentes e devem andar juntas. Preocupações com endividamento existem porque, em cenários de expansão fiscal forte, o que acontece é um aumento da inflação e dos juros que, no final do dia, impacta principalmente as populações mais vulneráveis e de renda mais baixa”, disse.

Para contornar o problema, a agenda de reformas deve ser uma aliada. O CEO destaca, por exemplo, a necessidade de uma reforma administrativa que abra espaço para continuar o investimento em programas de transferência de renda “que são muito importantes para o Brasil”. A reforma tributária é outra bastante aguardada pelo mercado.

“[São medidas que] criam condições para mais investimentos, mais empregos e menos desigualdade. É um ciclo positivo”, afirmou Maluhy ao comentar o desempenho do Itaú no terceiro trimestre na manhã desta sexta-feira, 11. O banco teve lucro de R$ 8,1 bilhões no período, em linha com o esperado por analistas.

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