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Bolsas europeias fecham em forte queda com escalada da guerra no Irã

Stoxx 600 cai 2,4% com pressão de commodities e tensão geopolítica; setor de petróleo foge da baixa

Dia de nervosismo nos mercados: bolsas europeias fecham em forte baixa (Getty Images)

Dia de nervosismo nos mercados: bolsas europeias fecham em forte baixa (Getty Images)

Caroline Oliveira
Caroline Oliveira

Colaboradora na Exame

Publicado em 19 de março de 2026 às 16h46.

As bolsas europeias fecharam em queda nesta quinta-feira, 19, pressionadas pela escalada do conflito no Oriente Médio e pela cautela dos investidores diante das decisões de juros dos bancos centrais da região.

O índice pan-europeu Stoxx Europe 600 encerrou o dia com recuo de 2,4%, com todas as principais bolsas no vermelho. Apenas o setor de petróleo e gás escapou das perdas, beneficiado pela alta dos preços da energia.

As ações de mineração lideraram o movimento de baixa. O setor de recursos básicos do índice caiu 4,2%, refletindo a forte queda nos preços do ouro e da prata, que recuaram mais de 4% e 8%, respectivamente.

Entre os destaques negativos, as mineradoras Antofagasta e Fresnillo, listadas no FTSE 100, fecharam com perdas de aproximadamente 5,7% e 7,4%. O movimento reflete o impacto da queda das commodities e o aumento dos custos com energia, em um ambiente de maior pressão inflacionária.

Outros setores também operaram no negativo ao longo do pregão, incluindo bancos e empresas de turismo, reforçando o tom de aversão ao risco.

Na contramão do mercado, a petrolífera norueguesa Equinor avançou cerca de 11% após divulgar seus resultados anuais. A companhia reportou lucro operacional de US$ 27,6 bilhões e anunciou a descoberta de um novo campo de petróleo próximo ao Círculo Polar Ártico, com reservas estimadas entre 14 milhões e 24 milhões de barris.

Tensão geopolítica no radar

A aversão ao risco ganhou força após uma nova escalada no conflito no Oriente Médio. Nesta quarta-feira, 18, Israel realizou ataques ao campo de gás de South Pars, no Irã, levando a uma retaliação com mísseis contra o terminal de gás natural liquefeito de Ras Laffan, no Catar.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que, caso o Irã continue atacando instalações energéticas no Catar, os EUA poderiam “destruir completamente” o campo de South Pars. As declarações e os ataques impulsionaram os preços do petróleo, aumentando a volatilidade global.

Bancos centrais mantêm juros

No campo monetário, os principais bancos centrais europeus optaram por manter as taxas de juros inalteradas, em um cenário de incerteza ampliada pelo conflito.

O Banco Central Europeu manteve suas taxas estáveis, assim como o Banco da Inglaterra, que preservou os juros em 3,75% por decisão unânime. O Riksbank, da Suécia, manteve a taxa em 1,75%, enquanto o Banco Nacional Suíço seguiu com juros em 0,0%.

Bolsas globais em queda

O movimento negativo se estendeu para outros mercados. Nos Estados Unidos, os principais índices também fecharam em baixa, com o Dow Jones Industrial Average e o S&P 500 caindo 0,7%, e o Nasdaq Composite recuando 0,6% no pregão.

A queda ocorre após dados de preços ao produtor e aumento das expectativas de inflação pelo Federal Reserve, elevando os temores de um cenário de estagflação — combinação de crescimento mais fraco com inflação elevada —, causado pela guerra dos EUA contra o Irã.

Na Ásia, os mercados também fecharam em baixa, refletindo o aumento das tensões geopolíticas e a cautela global dos investidores.

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