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Bolsa piorou, mas não tirou apetite de empresas por IPOs, diz CFO do BTG

Banco coordenou oferta da Compass, primeiro IPO da B3 em cinco anos, em uma oferta de R$ 2,8 bi

IPO da Compass: o primeiro na B3 em cinco anos

IPO da Compass: o primeiro na B3 em cinco anos

Mitchel Diniz
Mitchel Diniz

Editor de Invest

Publicado em 11 de maio de 2026 às 15h45.

O BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) coordenou o primeiro IPO (abertura de capital na bolsa) realizado no Brasil em cinco anos. A oferta da Compass foi precificada em R$ 2,8 bilhões as ações começaram a ser negociadas nesta segunda-feira na B3. Para o CFO do banco, Renato Cohn, a operação abre caminho para que outras empresas acessem o mercado de capitais.

"A gente acha que tem uma série de empresas que estão preparadas para vir ao mercado", disse Cohn na coletiva de imprensa realizada após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre. "Cada empresa vai avaliar o melhor momento de fazer isso, mas a gente espera que esse IPO abra a janela para novas empresas acessarem o mercado."

O executivo reconheceu que a turbulência geopolítica do período pesou sobre o apetite dos investidores, mas avaliou que não chegou a travar o mercado. "Toda incerteza atrapalha um pouco", afirmou. "Provavelmente, se não tivesse isso, a bolsa poderia estar em um patamar acima, mas a gente fez o IPO, a empresa veio ao mercado com bastante sucesso e eu acredito que mais empresas virão."

Longe das máximas

O Ibovespa bateu sua máxima histórica em meados de abril, já em meio às tensões geopolíticas, e recuou desde então. Para Cohn, o recuo recente não elimina o apetite das empresas. "O mercado deu uma pioradinha de meados de abril até agora, mas eu não acho que isso tirou a possibilidade ou o apetite das empresas virem ao mercado. A gente vai ver mais empresas vindo ao mercado nos próximos trimestres."

O bom desempenho do BTG no Investment Banking no primeiro trimestre veio em sentido contrário ao do mercado. Dados da Anbima mostram retração nas emissões de dívida corporativa no período, mas o banco registrou crescimento de 65,1% na receita da área, que inclui emissão de crédito e ações.

Cohn explicou que a piora no mercado de DCM (emissão de dívida corporativa) se concentrou no final do trimestre, o que permitiu ao banco colher bons resultados nos meses anteriores.

"A gente notou que isso teve algum impacto, mas foi mais para o final do trimestre, principalmente no mês de março", disse o CFO. "A gente conseguiu performar bem ao longo do trimestre porque o impacto acabou sendo mais no final."

Para o segundo trimestre, o executivo foi mais cauteloso. "Abril foi o mês mais fraco e estamos vendo uma pequena melhora. Vamos ver se o mercado melhora nos próximos meses para voltar ao patamar que tinha antes."

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