Agenda do mercado: o mercado também acompanha a divulgação da balança comercial semanal, às 15h (wirestock/Freepik)
Repórter
Publicado em 18 de maio de 2026 às 05h30.
Os mercados começam a semana tentando medir até onde a crise entre Estados Unidos, Israel e Irã ainda pode estressar os ativos globais.
Depois de cinco semanas seguidas de queda do Ibovespa e da maior alta semanal do dólar em mais de três anos, investidores entram na segunda-feira, 18, com os olhos voltados para uma agenda de indicadores e novos sinais da guerra no Oriente Médio, que continua ditando o humor dos mercados.
A agenda brasileira concentra as atenções logo pela manhã. Às 8h, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulga o Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) de maio. Em abril, o indicador havia avançado 2,94% na comparação mensal e 0,56% em 12 meses.
Pouco depois, às 8h25, sai o Boletim Focus do Banco Central, com a atualização das projeções do mercado para inflação, juros, dólar e crescimento econômico. Na semana passada, a projeção do IPCA para 2026 subiu pela nona semana consecutiva, passando de 4,89% para 4,91%.
As expectativas para o dólar apresentaram queda em 2026, 2028 e 2029, enquanto ficaram estáveis em 2027. Os analistas consultados pelo BC mantiveram, contudo, a estimativa da Selic para 2026 e 2028, enquanto elevaram as projeções para 2027 e 2029.
O principal dado do dia, porém, será conhecido às 9h, com a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de março, indicador considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB).
Em fevereiro, o índice havia mostrado alta de 0,60% na comparação mensal, mas queda de 0,27% em relação ao mesmo período do ano anterior. O dado ganha relevância após uma rodada recente de indicadores mistos no Brasil. Enquanto as vendas no varejo surpreenderam positivamente, o volume de serviços veio abaixo do esperado, embora ainda em patamar considerado elevado pelos economistas.
Ao longo da tarde, o mercado também acompanha a divulgação da balança comercial semanal, às 15h, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Nos Estados Unidos, o destaque da agenda fica para o discurso de Cheryl Venable, presidente interina do Federal Reserve (Fed) de Atlanta, às 9h30. As falas de dirigentes do Fed seguem no radar dos investidores em meio à revisão das expectativas para os juros americanos, um dos fatores que pressionaram os mercados globais na última semana.
Já durante a noite, o foco se volta para a Ásia. O Japão divulga, às 20h50, a prévia do PIB do primeiro trimestre. No quarto trimestre do ano passado, a economia japonesa havia crescido 0,3% na comparação trimestral e 1,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
No calendário corporativo, investidores acompanham os resultados da chinesa Baidu, conhecida como a "Google chinesa", e da companhia aérea Ryanair, cujos números devem trazer sinais sobre os impactos do conflito no Oriente Médio sobre o setor aéreo e os custos operacionais ligados ao petróleo.
No Brasil, a agenda política e econômica também segue movimentada. Às 14h30, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa, em São Paulo, de um anúncio de investimentos da Petrobras.
Enquanto isso, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, cumpre agenda na França. O ministro participa, em Paris, da reunião de ministros das Finanças e presidentes de Bancos Centrais do G7, grupo formado por Estados Unidos, Alemanha, Japão, Reino Unido, França, Itália e Canadá. O Brasil participa do encontro como país convidado.
Além das reuniões oficiais, estão previstos encontros com representantes da sociedade civil e do setor privado francês, uma mesa redonda promovida pela revista Le Grand Continent, além de um almoço na redação do jornal Le Monde. À tarde, Durigan visita a startup francesa de inteligência artificial Mistral AI, onde terá reunião com o CEO da empresa. À noite, participa do jantar ministerial do G7.
Mas o pano de fundo dos mercados continua sendo o conflito entre Estados Unidos e Irã. No domingo, 17, o presidente americano Donald Trump voltou a elevar o tom contra Teerã ao afirmar que “o tempo está passando” para que o Irã aceite um acordo.
Washington e Teerã negociam há semanas, com mediação do Paquistão, uma tentativa de encerrar a guerra iniciada no final de fevereiro. As negociações, porém, seguem travadas.
Os Estados Unidos exigem o encerramento do programa nuclear iraniano, enquanto o regime iraniano considera sua manutenção uma prioridade estratégica. Outro ponto de tensão é o Estreito de Ormuz, cujo tráfego marítimo vem sofrendo restrições impostas pela Guarda Revolucionária Iraniana desde o início do conflito.
O ambiente de cautela marcou o desempenho dos ativos brasileiros na última semana. O Ibovespa encerrou a sexta-feira, 15, em queda de 0,61%, aos 177.283 pontos. No acumulado da semana, o índice recuou 3,67%, registrando a quinta semana consecutiva de perdas — o segundo maior recuo desde o início da guerra com o Irã.
Já o dólar avançou 1,63% na sexta-feira, cotado a R$ 5,067. Na semana, a moeda americana acumulou alta de 3,58%, a maior valorização semanal em mais de três anos. O movimento refletiu a busca global por ativos considerados mais seguros, em meio à escalada das tensões geopolíticas e à percepção de que os juros americanos podem permanecer elevados por mais tempo.