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BCE anuncia elevação de juros recorde e sinaliza novas altas para as próximas reuniões

Mais pessimista sobre a economia europeia, BCE revisa projeções de crescimento para baixo e de inflação para cima

 (Ralph Orlowski/Reuters)

(Ralph Orlowski/Reuters)

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Guilherme Guilherme

8 de setembro de 2022, 10h05

O Banco Central Europeu (BCE) aumentou suas três taxas de juros em 0,75 ponto percentual em decisão desta quinta-feira, 8. A alta de juros foi a mais agressiva da história do BCE. Dessa forma, a taxa de juro aplicável à facilidade permanente de depósito, considerada a mais importante da Zona do Euro, subiu de 0% para 0,75%. A taxa de juro aplicável às operações principais de refinanciamento e as de cedência de liquidez aumentaram para 1,25% e 1,50%, respectivamente. 

  • Taxa de juro de facilidade permanente de depósito: 0,75%
  • Taxa de juro de operações principais de refinanciamento: 1,25%
  • Taxa de juro de cedência de liquidez: 1,50%

Assim como na última reunião, o BCE optou por um ajuste mais agressivo do que o esperado por dos investidores. Antes do anúncio, o mercado se dividia entre um ajuste de 0,75 ponto percentual e de 0,50 p.p., como o realizado na decisão anterior.

A guinada contracionista não deve parar por aqui.  "O Conselho do BCE (...) espera continuar a aumentar as taxas de juro, porque a inflação permanece demasiado elevada, sendo provável que se mantenha acima do objetivo durante um período prolongado", afirmou o comunicado desta quinta. 

Mais inflação e menos crescimento

O BCE ainda se mostrou mais pessimista sobre a dinâmica inflacionária da Zona do Euro, revisando as projeções para este e os próximos dois anos. A expectativa de economistas do BCE para o Índice de Preço ao Consumidor (IPC) para este ano saltou de 6,8% para 8,1%. Já estimativas para o IPC de 2023 subiram de 3,5% para 5,5% e de 2,1% para 2,3 para o IPC de 2024. O IPC anual da Zona do Euro encerrou agosto em 9,1%.

"As pressões sobre os preços continuaram a ganhar força e a generalizar‑se ao conjunto da economia, podendo a inflação voltar a subir no curto prazo", afirmou o BCE. O comunicado ainda cita preço de alimentos, pressões de demanda devido à reabertura econômica e "estrangulamento" da oferta como motivos para a elevada inflação do bloco.

Mais inflação e menor confiança de empresas e consumidores pela "agressão injustificada da Rússia contra a Ucrânia" também levaram o BCE a revisar suas projeções de crescimento para os próximos anos. O BCE agora estima expansão do PIB de 2023 em 0,9% e em 1,9% em 2024. A expectativa anterior era de 2,1% para 2023 e 2024. A projeção para 2022 é de que o PIB termine com 3,1% de alta, o que representaria uma desaceleração em relação ao PIB anual do segundo trimestre, de 4,1%.