BB sob ameaça de demissão coletiva na diretoria: é hora de entrar na ação?

Executivos do Banco do Brasil estariam insatisfeitos com indicação de Fausto Ribeiro como novo CEO da estatal, em substituição a André Brandão
O novo presidente-executivo do Banco do Brasil foi indicado após o atual mandatário do banco estatal, André Brandão, ter renunciado ao cargo (Paulo Whitaker/Reuters)
O novo presidente-executivo do Banco do Brasil foi indicado após o atual mandatário do banco estatal, André Brandão, ter renunciado ao cargo (Paulo Whitaker/Reuters)
Beatriz Quesada
Beatriz Quesada

Publicado em 31/03/2021 às 09:08.

Última atualização em 31/03/2021 às 09:38.

O Banco do Brasil (BBSA3) pode sofrer uma debandada em seu alto escalão nesta quarta-feira, 31. Segundo coluna de Lauro Jardim, no O Globo, sete dos nove vice-presidentes devem pedir as contas após ficarem descontentes com a indicação de Fausto de Andrade Ribeiro para a presidência do banco. 

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O governo formalizou a indicação de Fausto Ribeiro para ocupar a cadeira de CEO do BB nesta terça-feira, 30. O novo presidente-executivo do Banco do Brasil foi indicado após o atual mandatário do banco estatal, André Brandão, ter renunciado ao cargo.

Embora seja funcionário de carreira do banco estatal desde 1988, em vez de uma indicação política, Ribeiro tem pouca experiência em cargos de alto escalão. Ele era gerente executivo do BB até setembro passado, quando foi nomeado CEO do braço de consórcios da instituição financeira.

Brandão, por sua vez, estava sob pressão do presidente Jair Bolsonaro desde o início do ano, depois de anunciar um plano de reestruturação que envolvia fechamento de agências e demissão voluntária de funcionários, para dar eficiência ao banco. Experiente e respeitado executivo no mercado, ele era o head do HSBC para as Américas antes de ir para o BB. 

Ribeiro será o terceiro presidente do banco estatal em cerca de oito meses. Brandão assumiu em agosto do ano passado em substituição a Rubem Novaes, que pediu demissão insatisfeito com o congelamento dos planos de privatização do BB.

O que dizem os analistas

Após a saída de Brandão do comando do BB, o Goldman Sachs comentou em relatório que prevê incertezas em relação ao papel, mas manteve a recomendação de compra com um preço-alvo de 48 reais — o papel encerrou o último pregão cotado a 30,72 reais. 

Os analistas baseiam a indicação no desconto que as ações do Banco do Brasil apresentam em relação a seus fundamentos. Segundo o Goldman, o papel é negociado a um múltiplo preço/lucro de 4,8x — bem abaixo do múltiplo de 7,6x estimado pelo banco. 

O Credit Suisse foi mais duro em sua avaliação, e rebaixou a recomendação de compra para neutra, cortando o preço-alvo da ação de 46 reais para 38 reais. 

Vale lembrar que as recomendações dos bancos foram feitas antes da possível saída dos vice-presidentes, o que pode gerar novas discussões sobre a governança da companhia e sobre o grau de interferência política sofrido pela estatal. 

"A saída dos vice-presidentes pode gerar muito ruído para as ações do BB e também para os papéis de todas as estatais", afirmou Bruno Lima, head de renda variável da Exame Invest Pro, na live Abertura de Mercado nesta manhã de quarta-feira.