Banco Pan quer acelerar crédito para o consumo e venda de seguros

CEO diz que receita de serviços, hoje abaixo de 10%, será cada vez mais relevante para o banco
Maquininha do Banco Pan: crescimento poderia ser maior não fosse a falta de chips no mercado | Foto: Divulgação (Banco Pan/Divulgação)
Maquininha do Banco Pan: crescimento poderia ser maior não fosse a falta de chips no mercado | Foto: Divulgação (Banco Pan/Divulgação)
Por Guilherme GuilhermePublicado em 03/11/2021 18:56 | Última atualização em 03/11/2021 20:01Tempo de Leitura: 4 min de leitura

Depois de alcançar 15,2 milhões de clientes no terceiro trimestre, com 52.000 novos usuários por dia útil, o Banco Pan (BPAN4) quer diversificar sua gama de produtos: os próximos passos vão na direção do mercado de seguros e em potenciais sinergias com a recém-adquirida Mosaico (MOSI3), maior plataforma de comparação de preços e de originação de vendas para o e-commerce do país.

A primeira iniciativa derivada do negócio é o lançamento de um cartão de crédito com a bandeira Buscapé, que irá oferecer cashback e o menor preço na hora da compra. Para o primeiro semestre do ano que vem, o objetivo do Pan é integrar o comparador de preços diretamente no aplicativo do banco, oferecendo crédito para a compra de produtos.

"Esperamos que a Mosaico nos traga não só mais receita de serviços como de crédito", disse Carlos Eduardo Guimarães, o Cadu, CEO do Banco Pan, nesta quarta-feira, 3. "Teremos um topo de funil gigantesco em que vamos poder oferecer [crédito] de maneira contextual. Se o cliente quiser comprar um produto, nós vamos oferecer o crédito. É o buy now, pay later [expressão em inglês para o 'compre agora, pague depois']."

A expectativa, segundo Guimarães, é que a receita de serviços, que hoje responde por 8,5% do total, se torne cada vez mais relevante no balanço. "A Mosaico nos traz uma ferramenta importante para entregar esse crescimento. A receita de serviços deve continuar crescendo em relação ao todo."

A maior parte da receita do banco hoje vem das operações de crédito, em que 90% da carteira é concentrada em três segmentos: crédito consignado, com garantia do FGTS e para a compra de veículos.

"Queremos diversificar para depender cada vez menos de um produto ou canal", afirmou Guimarães.

A estratégia de diversificação de receitas e de digitalização tem sido reconhecida e premiada pelo mercado: as ações do banco acumulam valorização de cerca de 80% em 12 meses, enquanto o Ibovespa subiu perto de 8%. Desde maio passado, o Pan é controlado integralmente pelo BTG Pactual (BPAC11), do mesmo grupo que controla a EXAME.

Prioridade: seguros

Nessa estratégia de novos negócios, a prioridade é a frente de seguros, em que até o fim do ano o Pan quer oferecer pelo menos seis novos serviços pelo aplicativo, podendo chegar a sete.

O primeiro lançamento previsto é o do Seguro Pix, que deve ser seguido pelos seguros de vida, residência, celular, carro, saúde e de perda de renda. No terceiro trimestre, a originação com prêmios de seguros bateu 131 milhões de reais, mais de 20% acima do mesmo período do ano passado.

Para seguir crescendo em diferentes frentes, o Pan visa aumentar ao máximo sua base de clientes. "Crescer, engajar e monetizar", definiu o executivo sobre as diretrizes. Na frente de engajamento, já surgem resultados.

Cartão e maquininha

No terceiro trimestre, o volume transacionado foi de 13,8 bilhões de reais, representando um crescimento de 500% na comparação anual. O volume movimentado com cartões de crédito cresceu de forma menos acelerada, em cerca de 215%. O ritmo de emissões de cartões de crédito também não acompanhou o de novos clientes.

"O cartão depende da qualidade de crédito do cliente e do cenário macroeconômico", explica Guimarães. "Sempre buscamos atrair clientes para prestar um bom serviço e monetizar. Teremos cada vez mais serviços, que não irão depender necessariamente do crédito."

A crise global nas cadeias de suprimentos está no radar dos executivos, mas isso não deve ser um problema para a emissão de cartões de crédito do Pan, que tem como estratégia manter maior estoque de plástico. Por outro lado, a falta de peças como microchips tem impactado a estratégia de adquirência.

"Queríamos estar com mais maquininhas na rua, mas estamos começando mais devagar [nesse mercado] por falta de equipamento. Para o ano que vem, esperamos que isso já esteja resolvido."