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Banco PAN libera R$ 1 bi para Auxílio Brasil sem desmontar estratégia conservadora de crédito

Foco da companhia são operações com garantia; expectativa é de crescimento da carteira no próximo ano

Banco PAN (BPAN4) foca em diversidade de produtos para manter resultado (Banco Pan/Divulgação)

Banco PAN (BPAN4) foca em diversidade de produtos para manter resultado (Banco Pan/Divulgação)

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Beatriz Quesada

4 de novembro de 2022, 09h45

O Banco PAN (BPAN4), instituição financeira voltada para as classes C, D e E, emprestou cerca de  R$ 1 bilhão em crédito consignado para beneficiários do Auxílio Brasil, informou, nesta quinta-feira, 3, o CEO do banco, Carlos Eduardo Guimarães.

A informação foi adiantada na conferência com investidores e analistas realizada na manhã de quinta-feira, para apresentar os resultados do terceiro trimestre do PAN. O empréstimo do Auxílio só vai aparecer no próximo balanço, uma vez que começou a ser disponibilizado em outubro. 

O anúncio, no entanto, faz parte da estratégia do banco, que desde o ano passado tem adotado uma postura conservadora no mercado de crédito, focando em operações com garantias, como as consignadas. Nesse tipo de empréstimo, o pagamento das parcelas é descontado diretamente do contracheque, holerite ou benefício.

“Estamos mais conservadores em crédito, mas, por outro lado, seguimos acelerando em consignados, como os de Auxílio Brasil e FGTS, porque eles não estão ligados à capacidade de pagamento do cliente”, explicou Guimarães em conversa com jornalistas.

A abordagem mais conservadora no crédito – em especial em cartão e veículos – foi uma das estratégias para que o PAN mantivesse a rentabilidade durante o período mais desafiador. O banco registrou lucro de R$ 193 milhões no terceiro trimestre, alta de 1% na comparação anual. A carteira de crédito alcançou R$ 36,2 bilhões no terceiro trimestre, sendo 88% de créditos com garantias. O nível de inadimplência acima de 90 dias se manteve estável, fechando setembro em 6,8%.

A expectativa da administração do banco é que o cenário melhore para o crédito no próximo ano, com diminuição da inadimplência à medida que a inflação mantém os sinais de desaceleração

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Auxílio Brasil de R$ 1 bilhão

O crédito consignado para beneficiários do Auxílio Brasil começou a ser oferecido em meados de outubro. Desde então, foram concedidos cerca de R$ 1 bilhão para 400 mil  clientes do PAN. O ticket médio do empréstimo é de R$ 2,5 mil por cliente.

Segundo o banco, foi realizado um estudo com a base para entender se valeria a pena entender o produto. Entre os respondentes, 70% deles afirmaram que usariam o dinheiro do empréstimo para pagar uma dívida mais cara ou para empreender.

Guimarães usa o estudo para rebater argumentos contra o consignado. “Alguns dizem que o beneficiário do Auxílio Brasil não pode se endividar, mas ele provavelmente já está endividado. O que temos com o consignado é um crédito com uma taxa menor”, diz.

Os próximos passos envolvem entender como o consignado se comporta em termos de inadimplência – a expectativa é que o indicador seja mais alto que outros produtos com garantia, como o consignado INSS. “É um produto novo, então precisamos desse primeiro retorno. A depender do nível de cancelamento, podemos recalibrar”, afirma o CEO.

Outro ponto a ser observado é o futuro do próprio Auxílio Brasil sob a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, que substitui Jair Bolsonaro na presidência do País a partir de 1º de janeiro. Uma das discussões na mesa é se o benefício será mantido em R$ 600, o que pode mudar a base de cálculo do que atualmente é oferecido ao cliente. 

Por hora, o PAN vê a opção como um diferencial positivo na relação com o cliente. “Nosso objetivo é trazer um diferencial para nossos clientes. Muitos outros bancos não quiseram oferecer [o empréstimo], mas nós acreditamos que seria um produto bacana para o nosso cliente”, defende o CEO.

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