Balanço da Petrobras (PETR4): mercado espera dividendos de até R$ 73 bilhões

Alta do petróleo deve compensar queda na produção da estatal, turbinando Ebitda em 2022
Petrobras: estimativa é que o Ebitda da estatal suba para R$ 91,3 bilhões (Pilar Olivares/Reuters)
Petrobras: estimativa é que o Ebitda da estatal suba para R$ 91,3 bilhões (Pilar Olivares/Reuters)
Beatriz Quesada
Beatriz Quesada

Publicado em 28/07/2022 às 06:02.

Última atualização em 28/07/2022 às 22:09.

A Petrobras (PETR3/PETR4) divulga nesta quinta-feira, 28, após o fechamento de mercado, seu balanço do 2º trimestre e, mais uma vez, os dividendos devem ser o principal foco dos investidores.

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Entre as projeções, a do Credit Suisse está entre as mais otimistas, com o banco esperando a distribuição de US$ 10 bilhões a US$ 14 bilhões em dividendos (cerca de R$ 52 a R$ 73 bilhões). Já os analistas do Bradesco BBI esperam que a petroleira pague US$ 12 bilhões (em torno de R$ 64 bilhões) aos acionistas.

O Itaú BBA, mais conservador, estima um dividendo de R$ 3,2 a R$ 4,2 por ação – totalizando R$ 54,7 bilhões. Já o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), espera uma distribuição de R$ 38 bilhões em proventos.

Segundo o BTG, os dividendos estão fazendo com que os investidores “fechem os olhos” para os resultados operacionais da companhia. A prévia da empresa, divulgada na última semana, mostrou uma redução de 5,1% na produção de petróleo, gás e líquido de gás natural (LGN).

Ainda assim, a expectativa é que a alta no preço do petróleo no período compense as perdas com a produção. 

“O Ebitda [principal indicador de caixa operacional da companhia] deve apresentar um bom crescimento principalmente em função de maiores preços do petróleo – alta de 13% no trimestre – e aumento dos preços dos combustíveis no Brasil”, afirmaram, em relatório, os analistas do BBI.

A estimativa é que o Ebitda suba para R$ 91,3 bilhões segundo o consenso Bloomberg – uma alta de 47% na comparação anual. O lucro líquido deve ficar na casa dos R$ 40 bilhões, queda de quase 6% frente aos R$ 42 bilhões registrados na mesma janela do ano passado.

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No caso do Credit,  os analistas chegaram, inclusive, a aumentar o preço-alvo para o papel após a divulgação da prévia operacional. Como destaque, está a redução de estoques no trimestre, sinalizando que a companhia vendeu mais do que produziu. “Pode ser um indicativo de bons resultados à frente”, afirmaram os analistas.

Os riscos para o papel incluem as próximas eleições presidenciais em 2022 e a potencial interferência política na política de preços que já vem prejudicando os papéis da estatal neste ano. Outros desafios são um potencial excedente se o BNDES decidir vender sua posição de 1 bilhão de ações preferenciais (PETR4), além da transição energética de longo prazo.

Ainda assim, as perspectivas seriam positivas. “Neste ponto, os altos retornos da Petrobras parecem mais do que compensar os altos riscos embutidos na ação, em nossa opinião”, escreveram os analistas.

O BTG, por outro lado, acredita que os riscos associados à ação são suficientes para manter uma recomendação neutra para o papel. O principal problema seria justamente a pressão sobre a política de preços. 

Os analistas ressaltam que o papel deve continuar performando em enquanto a empresa conseguir ficar fora das páginas políticas de jornais, “o que pode ser uma aposta arriscada à medida que nos aproximamos das eleições presidenciais”.

“Em um horizonte (um pouco) mais longo, há poucas razões para acreditar que a tão esperada expansão de múltiplos acontecerá, considerando que a alocação de capital e os dividendos da empresa podem mudar significativamente”, completam.

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