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Azul (AZUL4): preço da passagem aérea vai chegar a níveis recorde em 2023

Com tarifas em patamares elevados, companhia espera que uma redução de custos, em especial com combustível, também ajude a melhorar a rentabilidade

Azul: em novembro, companhia já chegou a níveis recorde de receita unitária (Omar Paixão/Exame Hoje)

Azul: em novembro, companhia já chegou a níveis recorde de receita unitária (Omar Paixão/Exame Hoje)

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Raquel Brandão

7 de dezembro de 2022, 19h00

Passado o pior momento da aviação aérea em 2020 e 2021 com a pandemia de covid-19, a companhia aérea Azul (AZUL4) agora volta a olhar para cima quando o assunto é a rentabilidade do negócio. Parte importante do ganho de margem vai vir do aumento das tarifas, de acordo com a direção da empresa.

Em apresentação a investidores nesta quarta-feira, 7, a companhia afirmou que o preço das passagens vai chegar a níveis recorde em 2023. A ação da companhia liderava as altas do pregão nesta quarta-feira, 7, avançando 4,58%, para R$ 11,64.

Juntamente com os preços mais baixos do combustível de aviação, o aumento das tarifas pode levar o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) a mais de R$ 5 bilhões no próximo ano, segundo os cálculos da companhia. Esse desempenho deve ajudar a empresa a chegar à meta de mais do que dobrar o Ebitda em 2025 quando comparado com o resultado de 2019, em que a empresa registrou R$ 3,6 bilhões de Ebitda ajustado. 

Em novembro, a companhia já chegou a níveis recordes de receita unitária, de acordo com a apresentação, com as reservas sem ficarem pressionadas. "Claro que os clientes gostariam de pagar menos se eles tivessem oportunidade, mas não estamos vendo resistência em termos de tráfico, em volumes ou mesmo em termos de 'feedbacks' dos clientes", disse Abhi Manoj Shah, vice-presidente de receitas da Azul.

A empresa continua a aumentar as receitas unitárias para refletir o ambiente de custo mais alto visto atualmente, observam os analistas do Goldman Sachs. "De fato, notamos que o guidance da empresa para receita e capacidade implica um RASK de cerca de R$ 0,40 para 2022 e de R$ 0,44 para 2023", escrevem os analistas, argumentando que as projeções estão em linha com as estimativas do banco. "Mantemos nossa classificação neutra na Azul, pois vemos melhor risco/retorno em outras empresas de nossa cobertura", escreveram os bancos mantendo também o preço-alvo de R$ 16,40.

Custos em baixa

A empresa espera um ambiente de combustível de aviação mais benigno no próximo ano, com um preço médio 10% abaixo dos níveis de 2022, diminuindo gradualmente ao longo do ano.

Além disso, a Azul espera reduzir o consumo de combustível da transformação da frota e iniciativas de economia de combustível, com base nas conexões e rotas. A redução anual de custos com combustível deve ficar em torno de R$ 250 milhões. Atualmente, a empresa espera atingir 100% de aeronaves de nova geração até 2026, o que também deve ajudar a empresa a expandir ainda mais as margens, devido ao menor consumo de combustível e maior tamanho da aeronave.

Segundo os analistas do Goldman Sachs, os aviões E2, A320neo e A321neo, que são  as aeronaves de nova geração, têm um custo por assento cerca de 26%, 29% e 34% inferior ao das aeronaves de geração mais antiga, o E1.

Recuperação do mercado internacional

Com o mercado doméstico já mais bem atendido em termos de oferta, a companhia vê em 2023 o retorno da capacidade dos voos internacionais como um dos grandes destaques. "É uma parcela pequena do nosso negócio, 15%, mas que vai voltar com indicadores muito saudáveis de receita unitária e muito forte em tarifa média", diz Shah.

Congonhas

A empresa espera mais do que dobrar sua presença no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, no próximo ano . O aeroporto é um dos aeroportos mais movimentados da América Latina. A Azul espera atingir 84 slots em 2023, contra 41 em 2019, incluindo slots temporários da Avianca.