Ataque da Rússia, petróleo a US$ 100, Ambev, Petro e o que move o mercado

Início de conflito no Leste Europeu penaliza bolsas do mundo inteiro; índices de Moscou chegam a cair mais de 30%
 (Stringer/Anadolu Agency via/Getty Images)
(Stringer/Anadolu Agency via/Getty Images)
Guilherme Guilherme
Guilherme Guilherme

Publicado em 24/02/2022 às 07:09.

Última atualização em 24/02/2022 às 08:27.

A Rússia deu início a um amplo ataque à Ucrânia nesta quinta-feira, 24, após Moscou ter prometido uma “dura resposta” às sanções americanas. Nesta quinta, o presidente russo, Vladimir Putin, declarou que os países que tentarem interferir nos planos do país enfrentarão “consequências jamais vistas”.

A operação militar anunciada por Putin sobre a Ucrânia teria como objetivo a “desmilitarização”. A invasão russa ocorre como forma de oposição da Rússia à possibilidade de adesão da Ucrânia à Otan. Anteriormente, o governo russo exigiu que a Otan retirasse qualquer tropa e armamento de países que aderiram à aliança militar após 1997. 

Com o ataque iniciado nesta quinta, as esperanças de uma saída diplomática para a crise dá espaço para o medo de um conflito, que pode ser o maior da Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Ataques foram registrados em toda a Ucrânia e não somente no leste do país, com maior controle de líderes separatistas apoiados pela Rússia.

As consequências do início da guerra na Ucrânia já aparecem no mercado financeiro. Bolsas da Europa caem entre 2% e 4% nesta manhã. Os principais índices de Moscou chegam a cair mais de 30%, com o aumento das incertezas no país. Mas o pessimismo não se restringe ao Velho Continente. Os futuros americanos caem cerca de 2%, enquanto na Índia as perdas beiram 5%.

Alta do petróleo

Enquanto bolsas do mundo inteiro operam em queda, as commodities agrícolas e energéticas seguem direção contrária. O maior destaque é o do petróleo brent que dispara mais de 6%, voltando a ser negociado acima de 100 dólares por barril pela primeira vez desde 2014. Neste início de ano, marcado pela escalada de tensões na Europa, o preço do barril já subiu cerca de 30%. O gás natural sobe na mesma magnitude.

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Reação à Petrobras

As fortes altas vêm tendo efeitos diretos sobre os papéis do setor na B3. A maior petroleira do país, a Petrobras (PETR3/PETR4) já saltou 15% desde o início do ano. Nesta sessão, além de incorporar a valorização do petróleo, as ações da companhia devem refletir o resultado do quarto trimestre, divulgado na última noite. 

A Petrobras registrou 134,19 bilhões de reais em vendas, superando o consenso da Bloomberg de 129,9 bilhões de reais. O lucro líquido aos acionistas também saiu acima do esperado, em 31,5 bilhões de reais no trimestre, contra a expectativa de 26,06 bilhões de reais. Já o Ebitda ajustado ficou abaixo da estimativa de 69,2 bilhões de reais, em 62,9 bilhões de reais.

Adicionalmente, a empresa divulgou dividendos complementares de 2,86 reais por ação preferencial e ordinária, Considerando antecipações realizadas em agosto e dezembro, os dividendos por ação proposta para o exercício social de 2021 totalizam 7,77 reais.

Balanços do dia com Ambev e Vale

Nesta quinta, será a vez da Vale (VALE3), com o maior peso do Ibovespa, apresentar seu balanço trimestral. O resultado está previsto para após o término do pregão. 

Quem já divulgou balanço nesta manhã é a Ambev (ABEV3). A companhia registrou 22 bilhões de reais em vendas líquidas, 19% superior ao apresentado no quarto trimestre de 2020 e acima do consenso da Bloomberg de 21,3 bilhões de reais. O lucro líquido ajustado, porém, caiu 45% na comparação anual para 3,89 bilhões de reais. 

O dia ainda será recheado de balanços corporativos. Além de Vale e Ambev, divulgam resultados hoje Azul (AZUL4), Ômega (MEGA3), Burger King Brasil (BKBR3), CCR (CCRO3), Hypera (HYPE3), IRB (IRBR3), JHSF (JHSF3), Ouro Fino (OFSA3), Sanepar (SAPR3) e Americanas (AMER3). Entre esses, somente a Azul irá reportar seus números pela manhã. 

Rede D'Or e Sul América

A Rede D'Or (RDOR3) anunciou a incorporação das ações do Grupo Sul América (SULA11), em fato relevante divulgado na última noite. A operação ainda depende de aprovação de acionistas em assembleias a serem convocadas por ambas as empresas.

O acordo se deu por meio de troca de ações, com o recebimento de ações da Rede D'Or pelos atuais acionistas da Sul América. A relação de substituição teve como referência os preços das units da Sul América no pregão de 18 de fevereiro acrescidos de 49,3% de prêmio. Dessa forma, seus acionistas receberão 13,5% da do capital social da Rede D'Or.

A Sul América assinou termo de exclusividade com duração de 12 meses com a Rede D'Or, sujeito ao pagamento de 5 bilhões de reais em multa, em caso de descumprimento.

Parte do potencial de valorização das ações da Sul América, porém, já foi precificado. Mesmo antes da operação ao mercado, as ações da companhia dispararam 25%, no último pregão.