Arezzo lança marca de calçado infantil e estuda novas compras, diz Birman

CEO da Arezzo diz que há 'ótimas marcas no mercado' e conta que crescimento orgânico neste ano virá das marcas Brizza, Bambini, voltada para crianças, e da nova linha de vestuário da Schutz
Alexandre Birman, presidente da Arezzo: lançamento da marca Bambini de calçados infantis (Divulgação/Arezzo)
Alexandre Birman, presidente da Arezzo: lançamento da marca Bambini de calçados infantis (Divulgação/Arezzo)
Por Marcelo SakatePublicado em 14/05/2021 17:13 | Última atualização em 14/05/2021 19:01Tempo de Leitura: 5 min de leitura

O desfecho sem final feliz da negociação da Arezzo (ARZZ3) com a Hering (HGTX3) pode ter deixado o investidor da empresa com uma sensação de frustração. Mas, para a Arezzo, a página está virada. A apresentação de resultados com forte crescimento no primeiro trimestre e a teleconferência com analistas de mercado nesta sexta-feira, 14, evidenciam um plano de estratégia com diversas frentes de negócios para manter o ritmo acelerado.

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A empresa apresentou crescimento orgânico de 21,3% nas vendas na comparação anual, com expansão de dois dígitos em todas as marcas, exceto duas. O Ebitda ajustado (geração de caixa operacional) avançou 80%, e o lucro por ação ficou em 0,30 real, superando em 12% o consenso das estimativas de mercado. Como reflexo do resultado bem avaliado por analistas de mercado, as ações subiram 3,28% nesta sexta, entre as maiores altas do dia.

"Faz parte do nosso DNA a transformação contínua dos negócios", disse Alexandre Birman, CEO da Arezzo, à EXAME Invest, em entrevista concedida no fim da manhã, depois da call de resultado com analistas. "Criamos marcas do zero, como a Schutz e a Anacapri, que hoje contam com centenas de milhões de reais em faturamento. "Isso significa que sempre tivemos iniciativas internas para promover o crescimento orgânico", afirmou.

Foi uma das primeiras entrevistas de Birman desde que a negociação com a Hering veio a público -- a marca centenária acabou aceitando a oferta do Grupo Soma (SOMA3). E o executivo revelou que há "uma série de marcas sendo analisadas" neste momento pela companhia, como parte da estratégia complementar à expansão do próprio negócio.

"O ano de 2020, com a incorporação da Reserva e a entrada real nossa no segmento de vestuário, marcou a transformação da Arezzo & Co", disse. A seguir trechos da entrevista de Alexandre Birman à EXAME Invest:

Quais os fundamentos do plano de crescimento da Arezzo? O que o investidor precisa saber?

Os três principais pilares para o crescimento até 2022 são claros. Primeiro, o investimento na Brizza, que é a nossa linha de flip flops (sandálias, chinelos etc.), que foi lançada em dezembro com sucesso. Já corresponde por 10% do volume de pares vendidos da marca Arezzo. Investimos pesado agora na coleção de inverno, em publicidade, porque entendemos que a marca tem que estar sempre presente para as clientes.

Dentro desse mesmo conceito, com a Arezzo como guarda-chuva, fizemos um teste no Dia das Mães com a criação da divisão de calçados infantis, batizada de Arezzo Bambini. É um mercado bem grande, de 3,5 bilhões de reais, e queremos ter uma participação significativa dele. Passa a ser uma unidade de negócios e passa a ter investimento para crescer.

Terceiro pilar: a Schutz é a marca que tem a maior aderência em termos de lealdade e fidelidade das clientes. É uma legião que chamamos de Schutz lovers. E agora estamos iniciando um processo fundamental de levar a Schutz para o vestuário.

Há iniciativas em outras áreas destacadas na apresentação a analistas. O que mais é estratégico?

Temos a reformulação da nossa relação com a rede de lojas multimarcas. São as butiques de interior, as empresas de família, para as quais estamos levando um conceito de padronização arquitetônica e de ferramentas digitais. O projeto se chama ZZ Store.

Vamos também dar continuidade ao investimento feito desde 2012 na nossa operação nos Estados Unidos, que já corresponde a 10% das nossas receitas. Além do crescimento da Schutz e da Alexandre Birman, estamos realizando um teste de aderência da Arezzo por meio do lançamento do e-commerce da marca nesse mercado.

E também estamos investindo em algumas iniciativas, por meio da nossa corporate venture capital, a ZZ Ventures. Uma delas é a nossa plataforma de conteúdo: queremos ser proprietário também do nosso conteúdo e não depender apenas de blogueiras, revistas etc. E, junto com isso, talvez novas marcas emergentes dentro da ZZ Ventures.

E aí vamos para a AR & Co, que é a nova divisão de vestuário. O principal investimento é a divisão da marca Reserva para o público feminino, que é o que terá maior crescimento. Junto com isso, a categoria de calçados da Reserva, que era licenciada, foi internalizada no primeiro trimestre. Há um grande potencial de crescimento da Reserva em calçados.

A oferta que a Arezzo apresentou pela Hering não foi concretizada. O que vocês estão olhando no mercado que faz sentido junto a essa estratégia de crescimento orgânico?

Não posso abrir o que estou olhando por questões de NDA (acordo de não divulgação, na sigla em inglês). Em 2019, a Arezzo & Co criou uma área específica para M&A (fusões e aquisições, em inglês). Fizemos alguns movimentos desde então, como a Vans, a Reserva e a Troc, dentro do pilar de venture capital. E essa área continua muito ativa.

Há ótimas marcas no mercado, algumas talvez com necessidade de um aporte mais estruturado de gestão e uma musculatura financeira mais robusta. Temos uma série de marcas em análise. A nossa empresa é muito diligente e tem o foco no longo prazo. A Hering foi fruto dessa análise e fizemos uma proposta que entendemos ser correta. Outra empresa do setor mudou completamente os patamares da negociação. Cada um tem seus critérios de avaliação.