China: Apple se beneficia de um cenário de alta de custos que pressiona concorrentes locais. (AGB Photo)
Repórter de Invest
Publicado em 17 de abril de 2026 às 08h09.
Última atualização em 17 de abril de 2026 às 08h12.
A Apple registrou alta de 20% nos envios de iPhones à China no primeiro trimestre, em um período de desaceleração do mercado, segundo dados da Counterpoint Research divulgados pela Reuters. A companhia passou a liderar o ranking global de smartphones e colou na Huawei na disputa pelo mercado chinês.
Esse movimento aconteceu em um ambiente em que várias fabricantes passaram a reajustar preços para cima, principalmente em modelos mais baratos, para tentar proteger margens.
Houve queda de 4% no mercado geral de smartphones no país devido à alta nos preços de chips de memória, que vem encarecendo a produção no setor e pesando no bolso do consumidor.
A Apple, porém, acabou ganhando espaço ao manter uma estratégia mais estável de preços e continuar sendo vista pelos chineses como uma marca de maior durabilidade.
A Huawei terminou o trimestre na liderança do mercado chinês, com 20% de participação e crescimento de 2% nos envios. Logo atrás aparece a Apple, com 19% de market share, depois de avançar 20% no período.
Analista sênior da Counterpoint Research, Ivan Lam disse: "enquanto a maioria dos concorrentes aumenta os preços, a Apple se destaca pelo custo-benefício, com os consumidores chineses sabendo que seus produtos duram pelo menos três anos".
Entre as chinesas, a Xiaomi teve o pior desempenho do trimestre, com queda de 35% nos envios, o que levou a empresa para a sexta posição no ranking.
Pesou também que, no ano anterior, a empresa havia crescido impulsionada por cortes agressivos de preços e subsídios do governo, o que deixou a comparação deste ano mais difícil.
Já a Oppo caiu 5% e a Honor recuou 3%, enquanto a Vivo foi na direção contrária e cresceu 2%, ajudada pelas vendas mais fortes durante o Ano Novo Lunar.
O mercado como um todo sente o impacto direto da alta dos preços dos chips de memória, que aumentam os custos de produção e acabam chegando ao consumidor final, em especial nos smartphones de entrada.
A leitura da Counterpoint é que esse cenário ainda deve continuar pressionando o setor no curto prazo, com possibilidade de novos aumentos de preços no segundo trimestre.A expectativa dos analistas ouvidos pela Reuters, no entanto, é de que Apple e Huawei sigam resilientes, com a chinesa podendo até crescer mais nos segmentos de aparelhos mais baratos.