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Apostadores 'previram' deposição de Maduro — e ganharam milhões com isso

Horas antes da intervenção americana, conta no Polymarket apostou em saída de Maduro do poder — e ganhou mais de R$ 2 milhões

Maduro preso: geopolítica movimenta o 'prediction market' (Truth Social/DonaldTrump/Reprodução)

Maduro preso: geopolítica movimenta o 'prediction market' (Truth Social/DonaldTrump/Reprodução)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 13h09.

Última atualização em 8 de janeiro de 2026 às 13h12.

Um movimento atípico em um mercado de apostas online levantou suspeitas de uso de informação privilegiada nos dias que antecederam a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, em uma operação articulada pelos Estados Unidos no último fim de semana.

Pouco antes do episódio, uma conta recém-criada na plataforma de previsões Polymarket apostou US$ 30 mil na saída de Maduro do poder. O retorno foi imediato — e milionário: mais de US$ 400 mil de lucro (R$ 2,15 milhões).

O caso reacendeu o debate sobre até que ponto esse tipo de aposta é apenas uma leitura precisa dos fatos — ou um indício de que alguém “por dentro” do plano americano decidiu colocar dinheiro no resultado, como mostra uma reportagem da Business Insider.

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Mercados de previsão como a Polymarket permitem apostas em eventos do mundo real, que vão de eleições e indicadores econômicos a conflitos geopolíticos. Não é a primeira vez que grandes ganhos despertam desconfiança: em dezembro, um usuário faturou US$ 1 milhão ao acertar quase todas as palavras mais buscadas do Google no ano.

Apesar do desconforto, o terreno regulatório é nebuloso. Nos Estados Unidos, esses mercados são supervisionados pela Commodity Futures Trading Commission (CFTC), que historicamente adota uma postura mais permissiva do que a SEC, reguladora do mercado americano de ações.

Não há hoje uma regra clara e abrangente que proíba explicitamente o uso de informação não pública em mercados de previsão, o que dificulta qualquer ação de fiscalização.

Especialistas ouvidos pela Business Insider apontam que, embora a CFTC possa, em tese, abrir processos por uso indevido de informação confidencial, isso exigiria provas difíceis de obter e recursos que a agência não tem priorizado. Além disso, muitas plataformas operam fora dos Estados Unidos ou com regras próprias.

O episódio envolvendo a Venezuela expõe um dilema central desses mercados. De um lado, eles se vendem como mecanismos de agregação de informação — quanto mais gente “bem informada”, mais precisas as previsões.

De outro, se a percepção de jogo com cartas marcadas se espalhar, o modelo perde credibilidade. Por ora, porém, a falta de manifestações do regulador sobre esse tipo de episódio sugere que apostas como a que antecipou a queda de Maduro podem continuar rendendo fortunas — e controvérsia.

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