Ouro: efeito distinto nas carteiras do BBA (Getty Images/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 12h01.
Última atualização em 3 de fevereiro de 2026 às 12h07.
A disparada do ouro nos últimos meses produziu efeitos distintos nas carteiras de ações do Itaú BBA em janeiro. Enquanto produtora da matéria-prima, a Aura Minerals (AURA33) foi o "maior propulsor de rentabilidade" no mês, com valorização de 25%. O papel faz parte de três carteiras recomendadas do BBA: Top 5 e Dividendos, com peso de 20% em cada, e Small Caps, com 10% de participação. Os percentuais foram mantidos, como proteção para os portfólios em meio a um cenário internacional ainda conturbado.
Por outro lado, a varejista de joias Vivara sentiu a corrida do ouro pelo viés de quem consome a commodity. Assim, o papel VIVA3 foi considerado o detrator do mês pelo BBA, com um impacto negativo de 15%. A casa acabou retirando o papel da sua carteira Small Caps.
Além da alta do ouro, a disparada prata, com um sentimento de aversão ao risco global, impactaram os custos da companhia, que também precisou lidar com um momento mais difícil do varejo discricionário (de bens não essenciais).
As ações da Vivara foram substituídas pelas da BR Partners na carteira de empresas com valor de mercado inferior a R$ 10 bilhões. O BBA trouxe o banco de investimentos para o portfólio de small caps para capturar a tendência de aquecimento no mercado de fusões e aquisições (M&A) neste ano.
O BBA incluiu no portfólio um grupo de sete empresas que consegue entregar bons resultados mesmo em cenários desafiadores e pode vir a se beneficiar de eventos específicos no curto ou médio prazo. As entrantes são:
O início de 2026 é marcado por uma intensa busca dos investidores globais por diversificação geográfica, o que favoreceu significativamente o mercado acionário brasileiro. De acordo com os estrategistas do Itaú BBA, as crescentes incertezas geopolíticas envolvendo as principais potências mundiais — como as operações militares dos EUA na Venezuela, tensões no Irã e disputas diplomáticas com a União Europeia pela Groenlândia — motivaram um ingresso de R$ 23 bilhões de capital estrangeiro na Bolsa brasileira apenas em janeiro.
Esse cenário de instabilidade reforça o temor de uma fragmentação comercial global, rompendo décadas de cooperação econômica entre os países ocidentais.
No plano doméstico, a atenção está voltada para a flexibilização da política monetária, com o início de um ciclo de queda de juros previsto para março de 2026. Após a manutenção da taxa Selic em 15,0% ao ano na reunião de janeiro, o BBA projeta um primeiro corte de 0,25 ponto percentual, estimando que a taxa básica atinja 12,75% ao ano ao término do ciclo.
Essa tendência é sustentada por uma inflação controlada (IPCA de 0,33% em dezembro), pela valorização do Real frente ao dólar e por indícios de arrefecimento no mercado de trabalho, apesar de a taxa de desemprego de 5,4% ainda estar próxima das mínimas históricas.
Internacionalmente, a resiliência da economia dos Estados Unidos deve limitar o espaço para cortes de juros por lá no primeiro semestre, mantendo a taxa em 3,75% ao ano no curto prazo. A expectativa é que reduções ocorram apenas no segundo semestre, possivelmente sob uma nova liderança no Federal Reserve, levando os juros norte-americanos para o intervalo de 3,0% a 3,25% ao ano.
Enquanto isso, a China apresenta um crescimento moderado, com alta de 4,5% no PIB do quarto trimestre de 2025, embora seus indicadores industriais (PMI) sinalizem uma leve contração na manufatura.
A volatilidade externa também reconfigurou a dinâmica das commodities e ativos de proteção no período. A elevada aversão ao risco impulsionou os preços do ouro e da prata, beneficiando mineradoras como a Aura Minerals, que registrou alta de 25% em janeiro. Paralelamente, os riscos de interrupção na oferta de petróleo no Oriente Médio, devido ao controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz, sustentaram as cotações energéticas e favoreceram o desempenho de grandes produtoras nacionais, como a Petrobras.